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Por uma Gr??-Bretanha austera e frugal

 Política
Como ?? que os eleitores brit??nicos h??o-de aguentar o novo e apertado or??amento do Governo, se são incapazes de pontear uma meia ou de preparar uma refei????o?
Por uma Gr??-Bretanha austera e frugal

Bem, o Governo de coliga????o da Gr??-Bretanha concluiu o seu primeiro or??amento e toda a gente tem falado disso, sendo as palavras "apertado" e "brutal" as que mais andam na boca do povo. O que parece ser do conhecimento geral ?? que h?? muito tempo que o Governo tem vindo a gastar dinheiro dos contribuintes, que na verdade não tem, para várias coisas de que, na realidade, não precisa.

 

Atrevo-me a afirmar que o Governo não vai efectuar cortes na despesa pública relativamente aos projectos mais absurdos e desnecessários, mas - oh - quem me dera que os fizesse... Ser?? que precisamos de posters - como os que estão afixados na minha zona - a incentivar mais l??sbicas a adoptar crianças? Ser?? que precis??vamos de um programa que incentivasse mais crianças a comprar contraceptivos em noites de festa? E quanto aos donativos a grupos exc??ntricos que promovem várias formas de actividade sexual fora do casamento heterossexual? Nada disto foi ??til. A taxa de gravidez na adolesc??ncia tem vindo a aumentar ?? medida que mais e mais jovens t??m vindo a adquirir contraceptivos - da mesma forma, as doenças sexualmente transmiss??veis duplicaram, triplicaram e quadriplicaram (especialmente entre os adolescentes mais jovens), de modo que a express??o "epidemia" ?? a mais comumente usada entre os m??dicos acerca deste problema.

 

Seria de esperar que, numa altura de constrangimento financeiro, fosse aberta uma via de discuss??o sobre tais assuntos, mas mais vale esperar sentado. ?? verdade que o primeiro-ministro, David Cameron, tornou bem claro o seu compromisso para com o casamento e a vida familiar e que os seus discursos ecoaram imediatamente ao chegarem a Downing Street, reafirmando palavras como "responsabilidade" e "compromisso". O vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, também falou recentemente sobre a import??ncia de proteger as crianças e de garantir uma boa infância para a próxima gera????o. Os dois homens t??m filhos e casamentos felizes - no caso de Cameron, ?? esperado um beb?? para o final deste ano e foi extremamente encantador verificar que a primeira coisa que fez ao chegar a Downing Street foi sair do carro e dirigir-se para o lado do passageiro para abrir a porta ?? esposa. ?? um aut??ntico cavalheiro e os seus modos são naturais e genu??nos.

 

Mas (e ?? um grande "mas") ser?? que o Sr. Cameron estabelece mentalmente a liga????o - ditada pelo senso comum - entre a necessidade de disciplina e de restri????o dos gastos públicos e a import??ncia da coes??o social? Ser?? que ele j?? percebeu que, se se aproximam tempos dif??ceis, vai ser crucial ter famílias fortes e unidas? Ser?? que ele acha que os jovens que se reunem nas ruas e nos centros comerciais das nossas cidades nestas quentes noites de Ver??o a beber e a vomitar e a gritar v??o ser capazes de, a seu tempo, gerir um lar com um or??amento apertado, de alimentar os filhos com refei????es nutritivas preparadas em casa e de partilhar passatempos familiares e interesses numa atmosfera alegre e apraz??vel?

 

No passado, quando havia dificuldades e priva????es - estou a falar de guerra, desemprego, crises financeiras mundiais - as pessoas comuns sabiam gerir-se, não por exorta????o do Governo ou por repress??es policiais, mas porque eram capazes de aproveitar todos os seus recursos pessoais, fossem eles espirituais ou pr??ticos - aptid??es, receitas, redes familiares, coopera????o entre vizinhos. Os valores espirituais eram ensinados de pais para filhos e eram encorajados em casa, na escola, na igreja e na comunidade e inclu??am (sem qualquer relev??ncia de ordem) poupan??a, paci??ncia honestidade e correc????o, coragem, f?? em Deus e a import??ncia de pensar nos outros antes de pensar em si mesmo.

 

Actualmente, provavelmente ser?? possível convencer as pessoas de que não v??o conseguir ter tanto dinheiro extra como h?? uns anos. F??rias no estrangeiro, snacks entre refei????es, refei????es em caf??s e restaurantes, montes de aparelhos dom??sticos podem não fazer parte de uma vida durante algum tempo. As pessoas até poder??o conseguir aceitar isto, mas ser??o capazes de, a um nível muito pr??tico, se gerirem? Não quero ser engra??adinha, mas estou realmente preocupada. Muita gente parece, francamente, não saber o que ?? ir passear até um parque, ou até ?? praia, e levar umas sandu??ches para comer ou o que ?? preparar uma refei????o em casa ?? base de massa ou de batatas com uma deliciosa cobertura de queijo gratinado. Todos os g??neros de aptid??es - reunir a família em volta de uma grande mesa para uma refei????o normal, pontear meias, subir a bainha de um vestido, remendar os joelhos das cal??as de ganga, transformar um cesto de madeira numa casa para bonecas, fazer conservas de fruta - são agora encarados como ridiculamente antiquados ou ent??o são pura e simplesmente desconhecidos.

 

As aptid??es são aprendidas em família e perpetuadas atrav??s da cultura familiar numa sociedade em que tais relações são prezadas e valorizadas. Os casamentos est??veis e seguros ensinam coisas como gerir-se, perdoar, lidar com relações dif??ceis, olhar em frente, encontrar esperança e coragem nas pequenas coisas.

 

Vamos precisar imenso de boa vontade e de aptid??es pr??ticas se as previs??es sobre os nossos problemas económicos na Gr??-Bretanha forem verdadeiras. Como ?? que as vamos arranjar? ?? possível que haja um aumento grotesco de interesse por aulas de culin??ria e de aptid??es de gestão do lar. As nossas escolas poderiam, de forma ??til, ser encorajadas a enfatizar aulas de aptid??es dom??sticas. Poder??amos procurar persuadir os grupos de jovens a incentivar as crianças a gostar de jardinagem ou a plantar vegetais.

 

Mas, sinceramente, a forma mais simples de promover aptid??es socialmente úteis, de ajudar as pessoas a gerirem-se em tempos dif??ceis, de garantir que ningu??m passa fome e de estimular a moral nacional passa por adoptar, atrav??s de todos os meios disponíveis, uma cultura de apoio aos casamentos heterossexuais, de respeito por estruturas familiares tradicionais e de sentido de auto-estima entre os jovens ?? medida que atingem a maioridade e pensam em seguir em frente.

 

Ent??o, enquanto o ministro fala de tempos dif??ceis e as pessoas come??am a ver de que forma os impostos v??o afectar os seus rendimentos, temos de ser honestos quanto ?? extens??o da import??ncia dos nossos estilos de vida. Vamos precisar de pessoas flex??veis, versadas em tarefas dom??sticas, capazes de enfrentar os desafios económicos do dia-a-dia e confiantes na sua capacidade de cuidar dos que mais precisam. Por isso, a melhor educa????o possível ?? numa casa com pais comprometidos com uma vida em conjunto e que partilham um sentido de hereditariedade com gerações anteriores.