Pesquisa

150 anos da Cruz Vermelha

 Comunidade
150 anos da Cruz Vermelha

Henri Dunant (1828-1910), o financeiro su????o que em 1859 se deve ter encontrado com o imperador franc??s por questões de negócios, visitou o monarca nos seus quart??is pouco depois da batalha e ficou impressionado com o espect??culo de devasta????o. No seu livro Un souvenir de Solferino (1862) recorda que "alguns soldados com feridas abertas, que come??avam a infectar, estavam prestes a enlouquecer de dor" e prop??s que as na????es do mundo constitu??ssem associa????es para aliviar os feridos em tempo de guerra. No ano seguinte come??ou a discutir-se a cria????o do Comit?? Internacional da Cruz Vermelha, e em 1864 a Primeira Conven????o de Genebra aprovou o "Conv??nio para melhorar as condições dos militares feridos nos ex??rcitos em campanha", que inclui as ideias do activista su????o. Em 1901 Dunant foi galardoado com o Pr??mio Nobel da Paz, juntamente com o secret??rio geral da Soci??t?? Fran??aise des Amis de la Paix, Fr??d??ric Passy.

 

Civis vítimas da guerra

 

O Comit?? Internacional da Cruz Vermelha aproveitou esta comemora????o dos 150 anos para lan??ar uma campanha de difusão do trabalho realizado em pa??ses afectados pela guerra. Dos seus planos faz parte uma exposição fotogr??fica da obra de cinco rep??rteres premiados internacionalmente pelo seu trabalho em zonas de conflito.

 

No entanto, Pierre Kraehenbuehl, director de Opera????es do Comit?? Internacional da Cruz Vermelha, sublinhou que o tipo de popula????o afectada pela guerra se alterou desde Solferino, onde houve s?? um morto civil face aos milhares de baixas entre os soldados. Uma informação do Comit?? comprovou que nas guerras actuais ?? a popula????o civil a que mais sofre. "A situação inverteu-se completamente", afirma Kraehenbuehl. "60% dos afeg??os dizem ter sido directamente afectados pelo conflito nos últimos anos. ?? a principal caracter??stica desta transformação". A referida informação mostra que 56% das pessoas afectadas pelos confrontos foram deslocadas e que mais de metade perdeu um membro da família.

 

Encontro em Solferino

 

Sob o título "Youth on the move", o programa comemorativo preparou em Solferino um encontro de quatro dias com representantes jovens de mais de 150 Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho de todo o mundo. As actividades de capacita????o durante o encontro focaram temas como o HIV, as altera????es clim??ticas, as migra????es e a discrimina????o.

 

Trygve Nordby, Secret??rio Geral Adjunto para a Diplomacia Humanit??ria na Federa????o Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, salientou que "das dezenas de milhões de volunt??rios da Cruz Vermelha, mais de metade são jovens, o que revela que este tipo de capacita????o a nível mundial ?? necessária para o futuro da institui????o". Do final de cada sess??o, sai uma declaração formal a apresentar aos governos, ??s Na????es Unidas, ??s organiza????es não governamentais e aos directores da própria Cruz Vermelha. As actividades podem ser seguidas em todo o mundo atrav??s de blogs, v??deos, redes sociais como o Facebook e mensagens colocadas no Twitter pelos participantes, que "ter??o acesso a sinais inal??mbricos, dossiers e c??maras", explicou Stephen Ryan, responsável pelas comunica????es da Federa????o Internacional para a Juventude e Volunt??rios.

 

Felicita????es do Papa

 

O Papa Bento XVI dedicou um agradecimento especial ?? organiza????o, cujos valores de "universalidade, neutralidade e independ??ncia ", disse, "suscitaram a ades??o de milhões de volunt??rios de todas as partes do mundo". O convite do Papa a "comprometerem-se de forma concreta" com este voluntariado foi dirigido "especialmente aos jovens".

 

O pont??fice afirmou que a Cruz Vermelha constitui "um importante baluarte de humanidade e de solidariedade em contextos de guerra e de conflito, bem como em muitas situações de emerg??ncia" e exortou os seus membros a colocar "a pessoa humana, na sua dignidade e na sua integridade, sempre no centro do compromisso humanit??rio".

 

Finalmente, Bento XVI aproveitou a sua mensagem para pedir a liberta????o de "todas as pessoas sequestradas em zonas de conflito" e em particular do italiano Eug??nio Vagni, colaborador da Cruz Vermelha nas Filipinas, que desde o passado dia 15 de Janeiro continua sequestrado pelo grupo islâmico radical Abu Sayyaf.


Viol??ncia contra os cooperantes

 

Este tipo de agress??es contra os cooperantes - tanto da Cruz Vermelha como de outras ONGs - vai aumentando, segundo dados referentes a 2008 publicados em La Croix (25-06-09). Registaram-se o ano passado 260 incidentes graves. No total, morreram 122 pessoas e 76 ficaram feridas. 60% dos casos assinalados ocorreram no Sud??o, Som??lia e Afeganist??o.

 

At?? 2006, o crescimento de incidentes era proporcional ao aumento do número de cooperantes no terreno. Depois, foi mais que proporcional. As capturas de ref??ns são uma manifesta????o desta radicaliza????o: em 2008 houve 62 casos contra 7 em 2003. Onze pessoas continuam ainda sequestradas (seis no I??men, quatro na Som??lia, um nas Filipinas).

 

Patrick Brugger, do Comit?? Internacional da Cruz Vermelha , afirma: "negamo-nos sempre a pagar resgates. Mas ??s vezes fazemos assist??ncia humanit??ria entre os sequestradores". De vez em quando, todas as ONGs se questionam sobre se a ac????o realizada num pa??s justifica a insegurança do seu pessoal.

 

Aceprensa