Intelectuais
A Johnson interessa-, sobretudo, julgar as suas contribui????es te??ricas em fun????o da sua própria traject??ria vital. Dessa forma, observa em que medida se pode dizer que estes autores viveram de acordo com o que pensavam ou se, pelo contr??rio, a sua vida desmentiu as suas próprias ideias.
Os intelectuais descritos nestas p??ginas aparecem como libertinos, fals??rios, b??bados, ego??stas... preocupados com o bem da sociedade, com a beleza abstracta ou com a solidariedade te??rica, mas desumanos nas suas relações familiares, soberbos e irasc??veis. Johnson procura minar dessa forma a legitimidade e a aura que por vezes dominou o intelectual, cuja vida est?? longe de constituir um exemplo para a humanidade. O livro est?? muito bem documentado e inclui numerosos testemunhos e refer??ncias bibliogr??ficas.
Em determinadas ocasi??es o relato destas vidas pode ser escabroso -como quando refere as veleidades sexuais de determinado personagem com desnecessárias descri????es. Sublinha, de qualquer forma, as mis??rias de um colectivo que foi sacralizado injustificadamente desde o Iluminismo. A sua leitura pode provocar uma certa descren??a, ??til em qualquer caso, relativamente aos que pregam sem darem o exemplo.

