M??goas da Escola
M??goas da Escola ?? uma obra que combina as estratégias do romance com as do ensaio pessoal. Nesta autobiografia, que ?? o que o livro parece, Pennac, partindo da sua longa experiência docente, recorda a sua própria vida como estudante e muitos epis??dios sobre o seu trabalho como professor em diferentes escolas. Como estudante nunca foi brilhante, pelo contr??rio, ficava quase sempre reprovado, as coisas não lhe entravam, despistava-se, acontecia-lhe de tudo um pouco.
Esta experiência serviu-lhe para compreender a filosofia do mau estudante e, apoiando-se no seu próprio caso, procurar em seguida todo o tipo de estratégias desde que servissem para recuperar estes alunos. Pennac não faz com eles nada do outro mundo. Parte do seu ??xito como docente radica precisamente num senso comum que leva a desconfiar tanto dos sistemas passados - sem os rejeitar pura e simplesmente - como de muitas inova????es pedag??gicas modernas que d??o prioridade a assuntos que não considera b??sicos. H?? p??ginas muito interessantes sobre o valor dos ditados, da aprendizagem memorizada e ?? até surpreendente a sua defesa dos internatos.
Pennac conhece muito bem o discurso alarmista que ultimamente tem sido alimentado sobre a situação da escola, com a multiplica????o dos casos de violência e o desprezo sistem??tico pelo saber que parecem ter muitos alunos. Desconfia, contudo destes argumentos, principalmente se são apoiados por reportagens jornal??sticas, onde muitas vezes se generaliza o epis??dio isolado. Para Pennac, tudo depende de como se tratam os alunos na aula e das estratégias que os professores empregam para que cada um descubra que ?? importante, independentemente dos seus resultados escolares e também do contexto social em que vive.
Por isso escreve: "Basta um professor - um ??nico!- para nos salvar de n??s próprios e fazer-nos esquecer todos os outros". S??o emotivos e convincentes os exemplos daqueles professores que mais influ??ram na sua vida. Falando dos seus professores de matem??tica, história e filosofia, diz: "nos tr??s via-se que estavam possu??dos pela paix??o comunicativa das suas mat??rias".
Contudo, o mais importante do livro ?? a atitude do Pennac professor perante aqueles alunos com pouco entusiasmo pelos estudos, vítimas dos problemas familiares e de uma sociedade frequentemente desumana que costuma deix??-los sozinhos. Pennac nunca atira a toalha ao ch??o, porque sabe que sempre se pode conseguir algo. Qual ?? a solução? Pennac, num diálogo divertido consigo próprio, lan??a uma palavra que não abunda na formação para o ensino, nem nos ensaios pedag??gicos, nem nas directrizes do Minist??rio, nem nas an??lises dos jornais: amor. Todo o livro justifica a necessidade educativa desta perigosa palavra.

