Pesquisa

livro de Jacques Attali

Breve Hist??ria do Futuro - a Incr??vel Hist??ria dos Pr??ximos 50 Anos

 Ensaio
Dom Quixote, Lisboa 2007, trad. de Patr??cia Xavier, 289 p??gs.
Breve Hist??ria do Futuro - a Incr??vel Hist??ria dos Pr??ximos 50 Anos

O seu percurso permitiu-lhe acumular experiência em relações internacionais, economia e desenvolvimento, porque, entre outras tarefas, trabalhou como assessor do presidente franc??s Mitterrand na prepara????o das cimeiras do G8 e como primeiro presidente (1991-1993) do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento. Escreve, por tanto, com um conjunto de dados económicos e sociológicos que utiliza com um ?? vontade not??vel, com certo pedantismo e com uma ousadia inquestionível. As primeiras cem p??ginas do livro são uma história universal, com início nas hip??teses sobre as popula????es dos homens mais primitivos até ao início do s??culo XXI. O seu objectivo ?? mostrar ao leitor tendências hist??ricas permanentes, a partir das quais se pode aventurar o futuro. Na realidade, a história que conta ?? a história da evolução das relações comerciais e a origem e evolução do capitalismo. Pretender explicar a história da humanidade em cem p??ginas obriga a simplifica????es excessivas ou a inexactid??es flagrantes.

 

Antes de come??ar a ???contar-nos o futuro???, esclarece: ???Não ?? o futuro que desejo???. Attali tem claro que para escrever sobre o futuro não pode apoiar-se numa espécie de arte da adivinha????o que pretenda conhecer os inúmeros acontecimentos que não podem ser preditos, mas sim apontar tendências. Prognostica tr??s ???vagas??? para o futuro. A primeira ser?? o ???hiper-imp??rio???, um per??odo em que os. Estados Unidos ir??o perdendo lentamente o seu papel de centro do mundo e em que as leis do capitalismo mundial ir??o organizando o seu próprio modo de governar-se e de governar prescindindo dos Estados.

 

A segunda vaga do futuro ser?? o ???hiper-conflito???. Um mercado sem Estado não tem outra sa??da sen??o o conflito, conflito esse que ter?? centenas de motivos para estalar na medida em que se implantarem empresas que se desenvolvam ?? margem ou contra os interesses dos Estados tradicionais. O factor desencadeante pode ser a ??gua, os recursos energ??ticos ou a religi??o.

 

O medo crescente (??nico motivo pelo qual a humanidade muda de rumo radicalmente na história, segundo o autor) levaria a uma terceira vaga de futuro, a ???hiper-democracia???. Este conceito ?? introduzido no livro com cita????es de Marx e de Tom??s More (como propagadores de utopias), para explicar que as suas previs??es pretendem advertir sobre os erros que podemos cometer e incitar a empreender caminhos em que ???seja possível estabilizar o clima, que a ??gua e a energia abundem, que a obesidade e a mis??ria desapare??am, que se instaure um estado de n??o-violência, que todos levemos uma vida pr??spera, que a democracia se torne universal, e que as empresas sirvam o bem comum. ?? até bem possível proteger todas as diferenças e criar outras???.

 

O livro ocupa-se de demasiadas questões em muito poucas p??ginas. Mas ?? justamente isso que pretende. E essa ser?? provavelmente uma das suas virtudes. Pode ser ??til para conhecer o que poder??amos denominar a Weltanschauung, a ???vis??o do mundo??? dos intelectuais da esquerda francesa moderada. Não s?? a vis??o do mundo de hoje, mas a sua vis??o da história e do futuro que prop??em e a que aspiram.

 

Jos?? Antonio Ruiz San Rom??n