O celibato sacerdotal
Recordar a grandeza espiritual do celibato e a sua justificação teológica e hist??rica nunca ?? demais, e especialmente neste momento em que as últimas notícias sobre abusos sexuais deram azo a que se pusesse em causa um dos carismas do sacerd??cio. Este "dom com que o Senhor aben??oou a sua Igreja" não se compreende a partir de uma concepção limitada da sexualidade e, sobretudo, sem uma vis??o espiritual. E, como sublinham estas p??ginas, quando falta perspectiva sobrenatural, ?? inevit??vel reduzir o celibato de carisma a exigência eclesi??stica.
Mas a verdade do celibato ?? muito mais profunda. Nesta obra, oferece-se uma ampla explica????o do que foi considerado pelo magist??rio católico como um dos maiores testemunhos de f??. Em primeiro lugar, de um ponto de vista teológico, mostra-se como o celibato ?? um compromisso, que afecta a raiz da vida sacerdotal e que potencia a capacidade para o exercício do minist??rio; ??, em suma, uma resposta generosa do homem a uma voca????o divina, um sinal da "dimens??o esponsal" do sacerd??cio.
Em segundo lugar, ?? interessante a an??lise que ?? feita sobre a formação espiritual e humana das voca????es para o celibato, um tema essencial para conseguir que este seja assumido como dom e não como um peso para os aspirantes a sacerdotes. Indica-se que ?? um compromisso que requer maturidade afectiva; a este respeito, ?? interessante o capítulo dedicado a analisar a relação do celibato com o desenvolvimento psico-sexual, porque se insiste de novo na necessidade de comprovar se os candidatos atingiram o grau indispens??vel de autodomínio e de autonomia para viver o minist??rio em toda a sua profundidade. Deste modo, em vez de encarar a vida celibat??ria como um impedimento ao desenvolvimento pleno do ser humano, poder?? adoptar-se a lógica de doa????o, e ver-se, assim, como algo que possibilita uma união mais ??ntima com Deus e uma forma mais pura e sublime do amor.
Em terceiro lugar, analisa-se a resposta que a Igreja deu, no direito can??nico, a aspectos relacionados com esse compromisso sacerdotal, tanto sob o ponto de vista da validade da ordena????o, como das possíveis consequências da sua viola????o reiterada.
Todos os capítulos são escritos por especialistas na mat??ria, pelo que se consegue fundamentar com rigor acad??mico e experiência espiritual do celibato. Incluem-se também tr??s textos clássicos sobre o tema: um artigo de ??lvaro del Portillo, escrito em 1968, sobre a abordagem do celibato no decreto Presbyterorum ordinis do Conc??lio Vaticano II; o estudo hist??rico do Card. Alfons Stickler, e um interessante artigo sobre as ci??ncias humanas, em particular a psicologia, e o celibato, assinado por Juan Bautista Torell??. Em conclusão, pode dizer-se que se trata de uma nova reflex??o sobre um fenómeno várias vezes discutido, que pode ajudar a descobrir a riqueza espiritual e a sabedoria antropológica da Igreja.

