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Richard Dawkins

The God Delusion

 Ensaio
London, Houghton Mifflin Company, 2006, 416 pp.

Tal como nos livros anteriores, Dawkins apresenta a evolução biológica como se esta fosse necessariamente incompat??vel com a religi??o. At?? aqui nada de novo. A novidade de The God Delusion ?? o tom beligerante com que o autor se refere ??s cren??as religiosas das outras pessoas. "A formação religiosa ?? uma forma de abuso de menores", afirma Dawkins.

 

Num artigo publicado na London Review of Books (19-10-2006), Terry Eagleton observa que o ate??smo combativo não ?? um bom ponto de partida para abordar o fenómeno religioso. Para Dawkins, a religi??o não tem interesse porque "n??o tem nada que se possa entender, ou pelo menos nada que valha a pena". Por isso, o autor recorre "a caricaturas absurdas sobre a f??, que fariam estremecer qualquer estudante do primeiro ano de teologia".

 

Eagleton mostra a contradi????o em que Dawkins incorre ao longo de todo o livro: declarar-se contr??rio ao dogmatismo e propugnar que as cren??as religiosas devem ser ferozmente combatidas; mas sem aportar argumentos racionais, ou dados concludentes a favor de suas próprias convic????es. No fundo, ler Dawkins exige uma grande dose de f??.

 

"Dawkins podia ter-nos dito tudo isto sem atacar os cientistas que não pensam como ele, e sem exibir de forma t??o manifesta o seu próprio analfabetismo teológico. Como podia igualmente ter evitado ser a segunda pessoa mais citada do livro ??? se contarmos Deus como uma pessoa", conclui Eagleton.

 

Em Spiked (18-12-2006), Michael Fitzpatrick descreve o livro de Dawkins como uma combina????o de "antipapismo protestante ultrapassado, com o moderno desprezo pela religi??o caracter??stico dos intelectuais progressistas". Na opinião deste cr??tico, abundam em The God Delusion "afirma????es carregadas de preconceito". Entre outros exemplos, Fitzpatrick refere a interpreta????o puramente religiosa que Dawkins faz de diversos conflitos políticos (como os da Irlanda do Norte, de Israel ou da ex-Jugosl??via).

 

Nas p??ginas do Wall Street Journal (5-01-2007), Sam Schulman denuncia o surgimento de um "novo ate??smo" no mundo anglo-sax??nico. Não se trata de um novo estilo de pensamento, mas de um novo estilo de combate, que consiste em criticar a religi??o sem limites nem contempla????es. Os ateus do passado costumavam dizer que a f?? era uma coisa para crianças; no presente, Dawkins e companhia garantem-nos que "acreditar em Deus nem sequer ?? pueril; [a religi??o] não ?? sequer adequada ??s crianças". "Desagrada especialmente aos ateus contempor??neos que os jovens recebam formação religiosa. [...] Dawkins chega mesmo a sugerir que o Estado devia proteger os menores das cren??as religiosas dos pais".