Pesquisa

Patrim??nio

 Romance
Patrimony de Philip Roth, Ed. Dom Quixote, Lisboa 2008, 216 p??gs, Tradu????o de Fernanda Pinto Rodrigues
Patrim??nio

A morte ?? uma excelente pedra de toque para mostrar o valor moral das pessoas. Qualquer relato autobiogr??fico que conte como se viveu esta experiência desperta, ?? partida, a simpatia e a compreens??o do leitor. Se, al??m disso, cont??m elementos exemplares no modo de morrer ou de assistir ao doente terminal o valor acrescentado da leitura aumenta.

 

Em Patrim??nio h?? elementos destacados e imit??veis, como o da figura materna, de uma generosidade comovente, a fortaleza e a ternura do filho, ou a atitude lutadora do pai, que até na agonia final luta por ???cada golfada de ar???.

 

Mas juntamente com tudo isto h?? uma vis??o pouco optimista da velhice e da doença, insiste-se demasiado na carga de frustra????o, e subjaz implicitamente uma ideia da religi??o mais relacionada com a morte do que com a vida, como que reservada para os últimos momentos.

 

O escritor questiona-se sobre qual o limite da dor que uma pessoa pode suportar na terra e não tem respostas.

 

O desenrolar da doença do pai, com algumas p??ginas intensas de atroz realismo, vai dando espa??o ?? descoberta de matizes na personalidade e na própria relação até ent??o menos claros. A situação desperta sentimentos no pai e no filho que o escritor não quer esquecer e por isso os escreve.

 

???Lutavam porque sempre tinham lutado e lutavam porque eram judeus???. Assim intitula Roth o 6?? e último capitulo destas mem??rias, o qual resume o perfil que quis destacar nesta camuflada homenagem ao seu pai, um homem duro, obstinado e lutador, que soube enfrentar também assim o último desafio, a sua própria morte.