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Na Praia de Chesil

 Romance
Na Praia de Chesil

Para conhecer melhor as personagens, McEwan introduz "flash backs" que contam como eles se conheceram numa manifesta????o contra as armas nucleares, por casualidade e como foi decorrendo o seu namoro.

 

O mais chamativo no romance ?? a aproxima????o a personagens provenientes de ambientes sociais diferentes (Florence, oriunda da classe alta, apreciadora de m??sica, e Edward, proveniente da classe m??dia, com problemas económicos e familiares).

 

McEwan serve-se destas diferenças para fazer um retrato social, político e moral de uma ??poca ainda marcada pelas consequências da Segunda Guerra Mundial, pelo auge do marxismo (que ?? bem recebido nas aulas universit??rias) e por uma t??mida liberta????o sexual que acabar?? desenfreada nos finais da década. Os dois jovens sentem-se também satisfeitos por viverem nuns anos em que a religi??o se tinha tornado, "em geral, rrelevante".

 

As p??ginas dedicadas ??s famílias de Edward e Florence, ?? formação universit??ria de ambos e aos respectivos anseios, ajudam a conhec??-los melhor e a compreender as reac????es contradit??rias na noite de n??pcias.

 

Tanto no tema como no estilo e na estrutura, McEwan arrisca demasiado, pois toda a história gira ?? volta do sexo, com uma morosidade e uma pormenoriza????o deliberadas. As consequências do que acontece essa noite t??m, para McEwan, um simbolismo pessoal e social que, no entanto, parece muito tocado pela literatura e afastado da realidade. O epis??dio narrado, contado com o seu significado demasiado rebuscado, parece mais um exercício de estilo onde McEwan, um dos autores de mais prest??gio da literatura europeia actual, demonstra a sua capacidade para a sugest??o, a introspec????o psicológica e a recria????o de atmosferas ??ntimas e sociais, como j?? fizera nos seus dois últimos romances: Expia????o e S??bado.

 

A pretensa objectividade com que McEwan descreve os factos, ?? falsa, pois o que sucedeu a Edward e Florence est?? escrito - e avaliado - baseado na mentalidade actual. Neste sentido, o autor manipula o enfoque moral do romance com o fim de que as personagens apare??am como vítimas de uma sociedade demasiado educada, medrosa e contida. As conclus??es e o argumento parecem, pois, inveros??meis.

 

Adolfo Torrecilla