A Estrada
McCarthy tem um estilo que condensa de forma assertiva esse mundo, escolhido pelo autor como a met??fora da sua dura vis??o da vida.
A sua obra mais conhecida ?? a Trilogia da Fronteira (v. Aceprensa 161/99, em papel), composta por Todos os belos cavalos, Na fronteira e Cidades da plan??cie. Antes tinha publicado O guarda do pomar, o seu primeiro romance, O Filho de Deus (v. Aceprensa 7/02) e Meridiano de Sangue (v. Aceprensa. 117/01), ambos publicados em Portugal na Rel??gio d?? ??gua. Nos seus últimos romances aparecia j?? esse olhar selvagem das relações humanas, com argumentos e personagens que acentuavam a sua ideia negativa da condi????o humana.
Contudo, A Estrada, galardoada com o Pr??mio Pulitzer 2007, manifesta uma agrad??vel mudança. Um pai e um filho sobrevivem a dur??ssimas condições de vida num mundo devastado. Não se conta o que aconteceu, mas a Terra sofreu um tal cataclismo que quase não h?? sobreviventes. E os poucos que ficaram travam uma encarni??ada luta pela subsist??ncia. Anos depois dessa grande catástrofe, pai e filho abandonam o Norte dos Estados Unidos e v??o para o Sul, na esperança de encontrar melhores condições de vida. Mas o que encontram no seu percurso pelas interminíveis estradas ?? sempre o mesmo: morte, desola????o, fome??? vest??gios de infernais inc??ndios que assolaram ???uma terra esventrada, esgotada e ??cida. Ossos de seres mortos espalhados por p??ntanos, lixeiras de desperd??cios an??nimos???.
A primeira obsess??o ?? conseguir alimentos. E ?? também fazer companhia e transmitir afecto. Al??m disso, o pai contagia ao filho a confian??a de que, naquele inferno que estão a passar, h??o-de encontrar, mais tarde ou mais cedo, a companhia dos bons, embora até a?? s?? tenham conhecido pessoas sem escr??pulos. Esta esperança mant??m-nos de p?? e f??-los superar as numerosas dificuldades que v??o encontrando na sua peregrina????o. A conta-gotas, McCarthy introduz também a ideia de que Deus est?? por detr??s de tudo, um Deus de Amor, não de vingan??a.
O romance est?? constru??do como uma alegoria apocal??ptica. O estilo ?? s??brio, simb??lico, com fragmentos breves que abrem para um epis??dio m??nimo, diálogos breves e a chuva de momentos fortes que as duas personagens suportam no seu esfor??o por chegar ao Sul, sobreviver e encontrar a solidariedade que procuram.

