Pesquisa

O pintor de batalhas

 Romance
O pintor de batalhas

Um antigo fot??grafo de guerra, Andr?? Faulques, decide abandonar a sua profiss??o depois de percorrer durante trinta anos os pontos mais conflituosos do planeta. Est?? h?? sete anos retirado na Cala del Arr??ez, no Mediterr??neo, numa torre de vigia abandonada que lhe serve de ref??gio. Faulques obteve importantes prémios com o seu trabalho. Durante tr??s anos conviveu com Olvido Ferrara, também fot??grafa, que decidiu abandonar as "passarelles" da moda e o "glamour" para percorrer com ele os cen??rios da guerra, lugares em que a vida est?? em carne viva, sem artif??cios. No entanto, o falecimento de Olvido durante a guerra de Vukovar (Cro??cia), precipita a crise existencial de Faulques o que, anos depois, provocar?? o abandono da sua carreira.

 

Ele sabe que nenhuma das suas fotografias pode captar aquilo que sentiu, por isso, deixa nas paredes da torre uma pintura mural que sintetize as suas obsess??es sobre a guerra, servindo-se das experiências pict??ricas de outros grandes pintores de batalhas como El Bosco, Paolo Uccello e Goya.

 

Faulques convive com as suas recorda????es e a obsess??o por este quadro que est?? a pintar. Mas, de repente, irrompe na sua vida um soldado croata que ele tinha retratado h?? quinze anos atr??s, durante a guerra de Sarajevo, e cujo rosto foi primeira p??gina em numerosos meios de comunicação. A fama que esta fotografia proporcionou a Ivo Markovic, o soldado, foi também o seu castigo: feito prisioneiro e torturado pelos s??rvios, a sua família pagou, de maneira tr??gica, as consequências. Ap??s anos de busca, Ivo Markovic encontra finalmente Faulques.

 

Estabelece-se entre os dois uma curiosa relação, que os leva a rever as suas vidas e compreender a sua liga????o ?? guerra. O romance consiste, sobretudo, nessa conversas, dado que a ac????o fica definida quase desde o início. Faulques desfia nestes diálogos a sua concepção da vida e do ser humano: "o homem tortura e mata porque faz parte da sua natureza. D??-lhe prazer". Como disse P??rez-Reverte numa entrevista, "n??o ?? um livro autobiogr??fico, apesar de Faulques se parecer comigo. Uso a minha biografia, ou melhor, o meu olhar, o que vi".

 

Os leitores habituais de P??rez-Reverte podem sentir-se perdidos diante deste novo e diferente romance, mais real. ?? certo que ?? mais elaborado, com menos artif??cio e mais qualidade literária. P??rez-Reverte trabalhou bem a estrutura. A escolha dos cen??rios b??licos e o mundo da fotografia e da pintura acrescenta possibilidades est??ticas, que não desperdi??a. No entanto, no que se refere ??s personagens, mant??m a fidelidade aos seus j?? conhecidos estere??tipos: Faulques possui um carácter forte e provocador (parecido com o do autor), próprio da galeria de personagens masculinos das suas obras. Tamb??m Olvido, a protagonista feminina, mant??m a mesma fun????o que as outras mulheres das suas novelas: "Ela ?? o olhar l??cido que torna os homens conscientes de si próprios". O amor que sentem um pelo outro pretende ser o contraponto temporal a tanto excesso de horror que contemplam ?? sua volta. P??rez-Reverte exagera tanto ao intelectualizar e idealizar esse amor, que o torna inveros??mil, artificial.

 

A guerra adquire neste romance matizes dram??ticos e originais, visto que o autor não cai num pacifismo piegas nem na glorifica????o do terror. No entanto, ao colocar a guerra como o s??mbolo exclusivo da exist??ncia, o seu ponto de vista ?? moralmente desolador: "o desastre devolve o homem ao caos de onde procede".