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As Benevolentes

 Romance
As Benevolentes

Littell trabalhou durante anos em diversas ONG atrav??s das quais entrou em contacto com diferentes conflitos b??licos internacionais. Segundo o autor, este trabalho foi a origem deste monumental romance, uma transbordante reflex??o sobre os limites morais entre o bem e o mal. O seu narrador ?? Maximilien Aue, um antigo oficial nazi, que pelos serviços prestados, conseguiu ascender a tenente-coronel. Acabada a guerra, fugiu para Fran??a. Ali reconstruiu a sua vida e, ap??s um distanciamento, decidiu p??r por escrito, com bastante sarcasmo e sem nenhum arrependimento, a sua experiência pessoal.

 

Doutorado em Direito, filho de uma francesa, Aue ?? um homem muito culto, que l?? os clássicos em latim e grego, que domina a literatura francesa, amante da m??sica, interessado em filosofia. Implicado num esc??ndalo de carácter homossexual, decidiu ingressar nas SS. Perdidamente apaixonado pela sua irm?? Una, vivem um arrevesado epis??dio de incesto.

 

O romance cont??m numerosas passagens onde se disseca a sua atrac????o pela perversidade sexual e pelo sadismo.

 

Littell quer narrar o seu fasc??nio pelo horror, tanto o protagonizado por Aue, uma personagem sem escr??pulos e sem o menor remorso por tudo o que fez, como o horror institucionalizado no regime nazi, descrito de modo exaustivo. Por detr??s h?? um espantoso trabalho de documenta????o, que pormenoriza a máquina de exterm??nio nazi. Estas p??ginas cortam o tom e o ritmo do romance, pois essa exaustiva verosimilhan??a ambiental não tem muita relação com a subst??ncia do romance, que ?? o retrato de alma do protagonista.

 

A narrativa est?? cheia de todo o tipo de digress??es dedicadas ?? literatura, ?? metaf??sica, ?? m??sica, ?? filosofia, etc., com que Littell quer mostrar a humanidade dos verdugos, dando-lhes voz.

 

Littell criou, com Maximilien Aue, uma personagem de laborat??rio, inveros??mil. Mais uma ideia do que uma realidade. Corresponde assim ao principal objectivo do romance: mostrar a natural presen??a do mal em muitas pessoas, capazes de se dedicar a exterminar judeus enquanto desfrutam, com requinte, da m??sica clássica.

 

Trata-se de um romance excessivo, desmedido em todos os aspectos, que tenta de um modo superficial ro??ar a moral, sem escamotear os valores politicamente correctos, deleitando-se em mostrar o rosto do mal.

 

??ngel Amador