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Deserto

 Romance
Deserto

Deserto ??, tal como os outros romances do autor, um produto de seu interesse pelas culturas distantes da civilização europeia. Por alguns, ?? considerado o seu melhor livro. J.M.G. Le Cl??zio obteve, por essa obra, o Pr??mio Paul Morand da Academia Francesa. Com o Saara como palco principal, narra alternadamente duas histórias, diferenciadas na tipografia e distanciadas pelo tempo, mas com a clara inten????o de estabelecer uma liga????o tem??tica. A primeira ?? contada atrav??s dos olhos do jovem Nur e o seu protagonista ?? o sheik Ma el A??nine, l??der carism??tico das tribos do deserto, que vivem um ??xodo dram??tico no seu esfor??o para resistir ao avan??o franc??s entre 1909 e 1912. A segunda, e mais próxima do nosso tempo, apresenta-nos a adolescente Lalla, nascida livre na costa do Norte de ??frica e cujo maior deleite ?? a natureza, na companhia do pastor Hartani e das histórias do pescador Naman. Lalla, ??rf??, deve emigrar para a Europa, com o peso de uma gravidez, quando a sua tia entender cas??-la com um desconhecido. O contraste entre o submundo de Marselha e o seu mundo nativo ?? brutal e a jovem sentir-se-?? estranha, mesmo quando um fot??grafo, de repente, a catapultar para a fama gra??as ?? sua beleza ex??tica.

 

Uma tem??tica banal cobra originalidade gra??as ao toque de Le Cl??zio. A sensualidade da sua escrita, posta em destaque pela Academia Sueca (e sem dar ao termo qualquer conota????o er??tica), reflecte-se neste relato lento, especialmente na parte intitulada "A Felicidade", onde Lalla goza livremente o ar, o solo e odores do mundo que lhe foi dado habitar, e onde Nur desperta a sua própria "paix??o pela terra", no meio de circunst??ncias adversas. A m??o do europeu irrompe perturbadora na sec????o seguinte, "A vida entre os escravos": a sensibilidade de Lalla acusa agora a farpa da civilização de um modo igualmente intenso.

 

H?? manique??smo, como se nota, em Le Cl??zio, pois o mal parece ausente do ??mbito virgem do deserto, enquanto habita como que no seu elemento do outro lado do mar. Exceptuando o pormenor cultural do casamento imposto, os habitantes da ??frica Setentrional parecem viver na pureza do ??den e em perfeita comunh??o com o seu habitat, enquanto que a civilização ?? a amea??a por excel??ncia, mais terr??vel do que o mar ou o vento desenfreados. Na realidade, não existem caracteres, propriamente ditos; os protagonistas revelam-se nas sensa????es experimentadas pelas duas figuras que aparecem em primeiro plano deste exuberante document??rio de inquestionível beleza, mas de interesse limitado.


Jes??s Sanz