O s??timo v??u
Ap??s abandonar a bo??mia da sua trilogia do fracasso ("Las m??scaras del h??roe", "Las Esquinas del Aire", "Desgarrados y Exc??ntricos") e ap??s abrir um caminho diferente com "La vida invisible", Juan Manuel de Prada (n. 1970) publica uma obra que em muito se afasta dos c??nones e interesses da narrativa espanhola contempor??nea.
"O S??timo V??u" conta a história de Jules Tillon, her??i da Resist??ncia francesa durante a Segunda Guerra Mundial, atrav??s da investiga????o levada a cabo por J??lio, a quem o unem v??nculos secretos. Trata-se de uma viagem de reden????o atrav??s da mem??ria, que passa pela Segunda República, a Guerra Civil, a Fran??a da Segunda Guerra Mundial, a Madrid do p??s-guerra e a Argentina, ref??gio de nazis. E, para percorrer essas complexas regi??es, Juan Manuel de Prada foge do manique??smo, "essa c??moda trincheira" cujo abandono sup??e "expor-se a ficar sob fogo cerrado", como diz o narrador. Todas as personagens possuem o atractivo de mostrar os claros-escuros da nossa condi????o, postos em mais relevo em ??pocas extraordin??rias, como a que ?? relatada.
Estamos perante uma obra de vasto alcance, tanto pela tem??tica como pelas ideias que se abrigam no seu seio: reden????o, culpa, falsas apar??ncias, descoberta das ra??zes, mem??ria, perd??o... "O S??timo V??u" entronca no curso da história literária e estabelece um diálogo com a arte que nos precede. Este romance seria especialmente inconceb??vel se não consider??ssemos a influência da narrativa cinematogr??fica. ?? um romance do s??culo XIX passado pelo filtro do cinema americano dos anos quarenta e do g??nero negro em geral, num estilo herdeiro da tradi????o expressionista e barroca espanhola, e com uma arquitectura narrativa p??s-moderna e muito bem conseguida.
Em seu desfavor, este romance tem um estilo que, para os pouco inclinados a esta prosa barroca e exuberante, pode por vezes distanciar por soar a voz impostada, mas que ?? o selo pessoal de Prada. Pode tornar-se desagrad??vel o tratamento, por vezes expl??cito e pormenorizado, que o romance faz do sexo. Quando surge este elemento, de qualquer modo secundário no conjunto da obra, Prada não faz dele uso gratuito: apresenta uma sexualidade obscura e atormentada, para reflectir os estragos provocados pela degrada????o do sublime.
Agust??n Alonso-Guti??rrez
N.da R.: Para os leitores que quiserem conhecer a relação das obras referidas com a f?? e a moral católica, aconselhamos a consulta do site www.almudi.org.

