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Abril despeda??ado

 Romance
t.o.: Prilli i Thyer
Abril despeda??ado

Ismail Kadar?? nasceu no sul da Alb??nia em 1936. Estudou filologia em Tirana e depois em Moscovo, até que a ruptura do seu Pa??s com os Russos o obrigou a regressar ?? P??tria. Actualmente, reside em Fran??a. Desde que regressou, que se dedica ?? escrita de romances, atrav??s dos quais o mundo pode conhecer detalhes de uma terra que permaneceu durante muitos anos isolada e ignorada.

 

Abril despeda??ado passa-se na ??poca de Zog?? I, que reinou entre 1928 e 1939. Um jovem escritor, acompanhado pela sua mulher, com quem est?? casado h?? pouco tempo, percorre numa carruagem puxada por cavalos as montanhas do norte da Alb??nia, a regi??o mais atrasada e pobre do seu pa??s. O seu interesse centra-se no aprofundar do conhecimento do esp??rito do Kanum, lei ancestral pela qual se regem os habitantes daquela zona.

 

O jovem casal cruza-se acidentalmente numa pousada com um jovem campon??s, que na sua roupa exibe o distintivo de ter morto algu??m para lavar o sangue de uma pessoa de família, de acordo com o prescrito no direito consuetudin??rio. Segundo o Kanum, ap??s uns dias de tr??gua oficial, o vingador deve fugir, procurando evitar a vingan??a dos parentes da vítima, obrigados que estão também a mat??-lo, para cumprimento da lei. Os percursos de uns e de outro, paralelos mas muito diferentes em meios e fins, constituem o cerne da ac????o, polarizada entre a curiosidade do escritor, e a tr??gica sorte que persegue o campon??s.

 

?? impossível que Kadar??, pela idade que tem, tenha conhecido a ??poca sobre a qual escreve. Não ter?? assim esta obra a inten????o de ser um testemunho, procurando antes responder ao anseio do escritor por aprofundar o presente, atrav??s da an??lise retrospectiva dos elementos que o configuraram.

 

Os protagonistas estão muito bem desenhados nos seus traços psicológicos e nas suas diferentes formas de pensamento e de atitudes. O mesmo se passa com as detalhadas refer??ncias a h??bitos de ??poca, feitas com uma sobriedade tal, que desmente qualquer suspeita de explora????o. O estilo, extremamente expressivo e repleto de matizes poéticos, adapta-se com uma brilhante flexibilidade tanto ??s descri????es de paisagens, belas e s??brias, como aos diálogos, de intensa carga dram??tica.

 

O leitor, ap??s apreciar um romance agrad??vel e relativamente acessível, fica com a sensa????o de um mundo de violência e primitivismo, perante o qual apenas se pode -segundo Kadar??- proceder a uma aceitação resignada e fatalista. O autor parece querer indicar que estruturas sociais viradas para a morte são insustent??veis e absurdas, pois que conduzem ?? ruina e falta de esperança. Não obstante, não pretende com a sua prosa induzir mudanças, nem prop??r solu????es: limita-se a manifestar a m??goa que esse r??gido poder incute ??queles que a ele estão submetidos.

 

Pilar de Cecilia