Nada
Aquando da sua publica????o, obteve destacado ??xito por parte da cr??tica, assim como pela aceitação dos leitores (foi o romance mais lido esse ano), havendo consagrado uma marcada tendência literária j?? abordada por Camilo Jos?? Cela no romance La familia de Pascual Duarte, o tremendismo, ainda que em Nada os seus rasgos estejam mais matizados.
Com um cen??rio autobiogr??fico, Laforet conta a frequ??ncia de um curso acad??mico da jovem Andrea, que chega a Barcelona para iniciar os seus estudos universit??rios em Filosofia e Letras. ?? orf??, e vai viver para casa de uns parentes. Estamos no p??s-guerra, facto que se detecta nas prec??rias condições em que se vive, que afectam também a família de Andrea, assim como no estado an??mico de todos os inquilinos do pr??dio da calle Aribau.
A primeira impress??o que Andrea tem de Barcelona e da casa, ?? de pesadelo. Fora a av??, de muita idade, os outros - seus tios Rom??n, Angustias, Juan e sua esposa Gloria - vivem amargurados e desagradados. Todas as relações são tormentosas, e Andrea não consegue encontrar felicidade em lado nenhum. Come??a aos poucos a relacionar-se com alguns colegas da universidade, que a levam a descobrir outro tipo de ambientes. De destacar a sua amiga Ena, proveniente de uma camada social mais alta, que acolhe Andrea e com ela compartilha a sua amizade. Assinale-se por??m que também Ena se sente contagiada pela decad??ncia da família da sua amiga.
Romance interessante, extremamente bem escrito, de certo modo fr??gil na sua estrutura, que ilustra a sordidez de uma família que foi identificada em muitas ocasi??es com o s??mbolo da Espanha do p??s-guerra.. Andrea ?? uma jovem inexperiente que passa por um triste e duro processo de aprendizagem, por vezes dram??tico, que a impele a superar-se a si mesma, e a assimilar os reveses de complicadas relações familiares. Testemunho da decomposi????o de uma família e das decep????es da maioria daqueles que a comp??em - particularmente o seu tio Rom??n -, nada escapa ao desabamento vital, nem sequer a grande religiosidade da sua tia Angustias, uma personagem a preto e branco e atormentada.
O romance descreve com mestria o triste ambiente de uns anos dif??ceis em Espanha, atrav??s do olhar ing??nuo de uma rapariga que inicia a sua própria caminhada de vida. Nada foi também o primeiro romance de Carmen Laforet (Barcelona, 1921-2004). Viria depois a escrever La isla de los demonios (1952), La mujer nueva (Premio Nacional de Literatura em 1955, no qual relata a sua convers??o ao catolicismo) e La insolaci??n (1963). P??stumamente, vieram ao prelo Al volver la esquina e Carta a Don Juan. Cuentos completos.
Pela sua qualidade literária e acertado retrato que faz de uma família agonizante, assim como da atmosfera de um pa??s pleno de cicatrizes, Nada ?? um dos romances mais significativos do p??s-guerra espanhol. De referir que as suas sucessivas reedi????es demonstram que continua a interpelar o público leitor.

