Neve
Ka, o protagonista, ?? um poeta turco que regressa ?? sua p??tria depois de anos de ex??lio na Alemanha. Por encargo de um jornal de Istambul viaja a Kars, pequena cidade no extremo oriental da Turquia, para elaborar uma reportagem sobre uma s??rie de suic??dios de jovens mulheres que eram vítimas de discrimina????o ou de fortes press??es por usarem a cabe??a coberta segundo a tradi????o muçulmana. Ao mesmo tempo, estão próximas as eleições municipais, que provavelmente ser??o ganhas por um partido islamita. No entanto, estes assuntos rapidamente desaparecem da novela, que se centra no reencontro de Ka com Ipek, antiga condisc??pula que vive em Kars, e numa extravagante revolta anti-islâmica depois da chegada de Ka.
O romance entre Ipek e Ka desenvolve-se demasiado depressa nos poucos dias do temporal. Pamuk mal mostra como se enamoram, e logo os torna protagonistas de um capítulo pornogr??fico. Outras linhas do argumento e outras personagens surgem também com not??vel rapidez e algumas acabam por ser abandonadas.
Por seu turno, o relato dos acontecimentos públicos e o seu pano de fundo as tens??es entre islamitas e laicos seguem-se com interesse, mas também com cepticismo crescente. O autor introduz-se cada vez mais na novela, com os seus próprios nome e morada, e pretende corroborar a veracidade da cr??nica apresentando-a como fruto das suas laboriosas pesquisas e do relacionamento (epistolar nos últimos anos) com o seu amigo Ka. Este recurso resulta, no entanto, muito artificioso, porque na maior parte da obra Pamuk faz a narra????o a partir do interior de Ka, em falsa terceira pessoa. Conta os pensamentos e os sentimentos de Ka durante a estadia em Kars, mas no final confessa não ter podido averiguar com certeza aonde ?? que o protagonista dirigiu os seus passos nas últimas horas decisivas. E se o motim laico ?? estramb??lico, o final que Pamuk lhe d?? ?? ainda mais inveros??mil.

