O Caderno
As obras de fic????o de Jos?? Saramago (Portugal, 1922) não se reduzem a uma particular reactualiza????o do realismo socialista, nem a uma cr??tica manique??sta dos males do capitalismo. Esta faceta de comunista irredut??vel e libert??rio, como o próprio se define, ?? deixada para a sua agastada e polivalente vida pública bem como para os seus escritos mais autobiogr??ficos, como os seus di??rios, publicados sob o título Cadernos de Lanzarote. Publica O Caderno, onde reproduz as entradas do seu blog ao longo de seis meses, desde Setembro de 2008 até Mar??o de 2009, meses que coincidem com a recupera????o de grave doença que o afectou, e nos quais apresentou o seu último romance, A viagem do elefante.
Não se trata de di??rios intimistas e subjectivos, ainda que algumas entradas descrevam a sua vida familiar, as suas amizades, assim como algumas das suas opini??es literárias. A maior parte destas p??ginas estão plenas de coment??rios sobre a vida social e política actual. As farpas mais fortes são atiradas ?? Igreja católica, tema j?? habitual nos seus di??rios. Mostra-se também muito cr??tico relativamente ao capitalismo, ?? situação económica, a Israel, e ?? política externa dos Estados Unidos... De um modo persistente, Saramago defende os valores da esquerda como ??nico b??lsamo para melhorar o mundo, ainda que não oculte o seu cepticismo relativamente ao ser humano. Do mesmo modo que os Cadernos de Lanzarote, estas p??ginas espelham um transbordante narcisismo.

