Brian Kolodiejchuk, postulador da causa de canoniza????o, explica em que consistiu a sua ???noite escura???
O livro foi organizado pelo Pe. Brian Kolodiejchuk, postulador da sua causa de canoniza????o, e agora publicado em portugu??s pela editora Aleth??ia. A entrevista que publicamos foi feita em Madrid por ocasi??o de uma passagem do compilador para um encontro na Universidade CEU San Pablo.
- A Madre Teresa de Calcut?? foi uma das mulheres mais populares do s??culo XX. Contudo, ?? prov??vel que o grande público a conhe??a muito superficialmente. Que aspectos da sua relação com Deus pensa que são menos conhecidos?
- Gra??as ??s cartas que os seus confessores e directores espirituais guardaram, conhecemos melhor tr??s aspectos importantes da sua vida interior. Em primeiro lugar, as cartas mostram-nos a maturidade espiritual da Madre Teresa antes da funda????o da ordem das Mission??rias da Caridade. Em 1942, quando tinha apenas 27 anos, fez um voto privado de não negar nunca nada a Jesus.
Tamb??m ficamos a saber pelas cartas que a Madre Teresa teve locu????es divinas. No livro, h?? duas cartas dirigidas ao arcebispo de Calcut?? em que aparecem recolhidos os diálogos entre Jesus e Teresa. Um das coisas mais significativas que Jesus lhe disse ?? que ela iria carregar o sofrimento no seu cora????o.
Outro aspecto que as cartas nos mostram ?? o amor da Madre Teresa por Cristo crucificado. A Madre Teresa foi uma mulher apaixonadamente enamorada de Jesus. Esta ?? a chave para entender a sua ???noite escura???.
- A Madre Teresa deixa em heran??a o exemplo de uma vida totalmente entregue a Jesus Cristo nos pobres, cerne daquilo a que chamou ???a revolução do amor???. Não lhe parece, contudo, que o exemplo da sua heróica tarefa corre o risco de fazer dela uma figura mais admirada que imitada?
- Penso que a Madre Teresa pode ser imitada. ?? certo que nem todas as pessoas t??m voca????o para deixar tudo e servir os mais pobres mas, segundo os ensinamentos da Beata, isso não ?? o mais importante. Ela própria nunca fez coisas extraordin??rias. Nas suas conversas com as pessoas, costumava lembrar-lhes que não era preciso ir para Calcut?? para dar amor; que o amor come??a na própria casa, atrav??s das coisas pequenas que cada um pode fazer pelos outros. Era nesse sentido que ela falava com frequ??ncia do ???apostolado do sorriso???.
- A crise espiritual da Madre Teresa come??ou nos anos 50, pouco tempo depois da funda????o da ordem das Mission??rias da Caridade, e prolongou-se até ?? morte. Em que consistiu essa longa fase de escurid??o interior?
- Por volta dos anos 1946-1947, a Madre Teresa tinha alcançado a união m??stica com Jesus atrav??s da contempla????o. ???Jesus entregou-Se a mim???, diz numa das cartas. Com efeito, nos primeiros meses de 1947, experimentou ???uma profunda e violenta união com Deus???. Não sabemos com exactid??o o que quer dizer ???violenta??? neste contexto, mas deve ter sido uma união muito intensa.
A partir desse momento, sucedem-se diferentes ritmos na sua ora????o. ??s vezes, passa por momentos de alegria e de consola????o gra??as ?? presen??a de Jesus; outras vezes, aparecem per??odos de aridez; e também de desejo de uma maior união com Deus. A sua ???noite escura??? consistiu em sentir que Deus a rejeitava ou que não a amava o suficiente. Para uma pessoa que est?? enamorada, que quer dar todo o seu ser a Deus, isso ?? muito doloroso.
- Os per??odos de escurid??o interior não são uma novidade na vida dos santos. Qual ?? o aspecto peculiar do modo como a Madre Teresa viveu a ???noite escura????
- No caso de Madre Teresa, essa escurid??o e vacila????o representavam a base espiritual da obra que Deus lhe tinha confiado. O Pe. Neuner com quem ela se abria, ajudou-a a compreender que a prova por que passava não se podia desligar da sua voca????o de serviço aos mais pobres dos pobres. Ela costumava repetir que, no mundo actual, a maior pobreza ?? a de sentir a solidão de não ser amado. E foi exactamente isto que sucedeu com ela. Deste modo, ela identificou-se com os pobres a quem servia.
Compreendeu, assim, melhor o valor redentor do sofrimento. Estava t??o unida a Jesus, que Ele p??de partilhar com ela a dor e a escurid??o que Ele próprio tinha experimentado no Getsemani e na Cruz.

