Exposi????o no Parlamento Europeu sobre João Paulo II
Atractiva, muito bem planeada, a exposição apresenta grandes pain??is com fotografias das visitas de João Paulo II a cada uma das 27 capitais europeias - visitou-as todas pelo menos uma vez - acompanhadas de textos em ingl??s e na l??ngua em que o Papa as pronunciou, incluindo grego, sobre as ra??zes cristãs da Europa. Mais seis pain??is tra??am a vida e a obra dos padroeiros da Europa, S. Cirilo e Met??dio, S. Bento de N??rsia, Santa Catarina de Sena, Santa Br??gida da Su??cia e Edith Stein. V??rios pain??is reproduzem recortes de jornais de todos os pa??ses europeus da ??poca da eleição daquele Papa jovem e alegre. Em idiomas que ainda não estavam inclu??dos entre os da Uni??o Europeia como o let??o, o polaco ou o checo, l??-se: "o lutador da liberdade", "o Papa da esperança"...
Nesse momento, 1978, muitos pa??ses que hoje fazem parte da Uni??o Europeia não existiam sequer como pa??ses independentes, ou estavam ent??o muito longe de imaginar que fariam parte dela em t??o curto espa??o de tempo ou do papel que o Papa desempenharia para faz??-lo realidade. De facto, o Papa visitou muitos deles quando estavam ainda do outro lado da cortina de ferro.
Entre os organizadores da exposição contam-se vários parlamentares europeus, entre eles um dos seus vice-presidentes, Alan Bielan, e o presidente da Comissão dos Assuntos Externos, Jacek Saryusz-Wolski. O Comit?? honor??rio ?? composto por mais 16 euro-deputados, de várias nacionalidades.
Uma grande bandeirola rodeia e une os pain??is na parte superior, mostrando a seguinte inscri????o em latim e em grego: "Non erit Europa unitas donec ipsa spiritus quadem unitas fiet".
Visita ao Parlamento Europeu em 1988
A 11 de Outubro de 1988 João Paulo II dirigiu-se ao Parlamento Europeu reunido em sess??o plen??ria em Estrasburgo, onde disse: "?? meu dever sublinhar com for??a que se o substrato religioso e cristão deste continente tivesse ficado ?? margem do seu papel de inspirador da ética e da sua efic??cia social, estar??amos a negar não somente toda a heran??a do passado, mas até a comprometer gravemente um futuro digno de cada homem europeu, crente ou não crente".
João Paulo II visitou nove vezes a sua Pol??nia natal, sete vezes Fran??a, cinco vezes Espanha, quatro vezes Portugal, tr??s vezes a ??ustria, a República Checa, a Alemanha e Eslov??quia, duas vezes a B??lgica, Hungria, Malta, a Irlanda e a Eslov??nia e uma vez a Bulg??ria, a Dinamarca, a Est??nia, a Finl??ndia, o Reino Unido, a Gr??cia, a Let??nia, a Litu??nia, o Luxemburgo, a Holanda, a Rom??nia e a Su??cia.
A exposição reflecte o contributo de João Paulo II ao esp??rito de unidade e solidariedade, ao esp??rito europeu e ??s suas ra??zes profundamente cristãs.
Eis aqui algumas cita????es compiladas nos pain??is e no rico cat??logo publicado por ocasi??o da exposição:
"Sei que sois fi??is ?? mem??ria daqueles a quem chamais "pais da Europa", como Jean Monnet, Konrad Adenauer, Alcide De Gasperi, Robert Schuman. Tomarei deste último a concepção de uma intui????o central dos fundadores: "Servir a humanidade por fim livre do ??dio e do medo, uma humanidade que aprende de novo, ap??s largas rupturas, a fraternidade cristã" (Discurso ao Conselho da Europa, Estrasburgo 8 de Outubro de 1988).
"A Europa tem necessidade de redescobrir e tornar-se consciente dos valores comuns que forjaram a sua identidade e que formam a sua mem??ria hist??rica. O ponto fulcral da nossa comum heran??a europeia - religiosa, jur??dica e cultural - ?? a singular e inalienível dignidade da pessoa humana" (Mensagem ao Presidente da Comissão dos Ministros do Conselho da Europa, 5 de Maio de 1999).
"A história do mundo ?? rica em civiliza????es perdidas e culturas brilhantes cujo esplendor h?? muito se extinguiu; enquanto que a cultura europeia se renovou e enriqueceu sem parar no diálogo, ??s vezes dif??cil e conflituoso, mas sempre f??rtil, com o Evangelho. Este diálogo ?? o fundamento da cultura europeia". "A política e a economia são certamente necessárias mas não suficientes para curar o homem europeu ferido que aparece fr??gil e vulner??vel. A Europa não encontrar?? o equil??brio e a for??a vitais se não se renova com as suas ra??zes profundas, as ra??zes cristãs. A Europa, como disse Goethe, fez-se peregrinando e o cristianismo ?? a sua l??ngua materna" (Discurso aos estudiosos europeus no Simp??sio pr??-sinodal sobre : O cristianismo na Europa, 31 de Outubro de 1991).
No painel dedicado ??s cinco visitas que João Paulo II fez a Espanha recolhe-se a seguinte frase pronunciada no aeroporto de Quatro Ventos a 3 de Maio de 2003. "Ela (Maria) vos ensinar?? a não separar nunca a ac????o da contempla????o, assim contribuireis melhor a fazer realidade um grande sonho: o nascimento da nova Europa do esp??rito. Uma Europa fiel ??s suas ra??zes cristãs, não fechada em si mesma mas sim aberta ao diálogo e ?? colabora????o com os demais povos da Terra, uma Europa consciente de estar chamada a ser farol de civilização e est??mulo de progresso para o mundo, decidida a juntar os seus esfor??os e a sua criatividade no serviço da paz e da solidariedade entre os povos".
Durante a inaugura????o da exposição, a 14 de Outubro, os organizadores recordaram que este esp??rito que deu vida ?? unidade europeia, e o contributo de João Paulo II para revitaliz??-lo, não ?? s?? uma recorda????o do passado. Trata-se sobretudo de uma rica heran??a da qual a Europa se deve alimentar no futuro.

