Visita de Bento XVI ?? República Checa
A Checoslov??quia tornou-se independente em 1918, ap??s quase quatro s??culos de governo dos Habsburgos. Em 1938, perdeu a sua autonomia para ficar submetida ao Terceiro Reich de Adolf Hitler, e recuperou a liberdade em 1945. Tr??s anos depois, os comunistas tomaram as r??deas do governo e nele se perpetuaram por quarenta e um anos. O comunismo ruiu em 1989 e pouco depois, em 1993, a Federa????o Checoslovaca dividiu-se em duas repúblicas: a República Checa e a Eslov??quia.
A República Checa ?? um dos pa??ses onde o comunismo foi mais bem sucedido na implementa????o de ate??smo.
República Checa tem cerca de dez milhões de habitantes que ocupam tr??s regi??es hist??ricas: Bo??mia, Mor??via e Sil??sia. A capital, Praga, est?? localizado na Bo??mia, a maior do pa??s, e ?? uma das cidades mais visitadas no Velho Continente, depois de Paris, Roma e Londres.
A instabilidade política
Hoje, a situação política est?? em crise. As últimas eleições para a C??mara dos Deputados em Junho de 2006 tiveram como resultado um empate, com socialistas e comunistas juntos a totalizar cem legisladores, e os partidos do centro e da direita, com o mesmo número. Os últimos (conservadores, democratas-cristãos e verdes) formaram uma coliga????o com a ajuda de dois desertores socialistas, que não gostaram da aproxima????o dos social-democratas aos comunistas. Mas a coliga????o foi muito inst??vel, e depois de quatro mo????es de censura, em Mar??o de 2009, a oposi????o conseguiu a queda do Executivo tricolor.
Os católicos são 27% da popula????o e estão entusiasmados com a visita do Papa
A instabilidade tem criado uma insatisfa????o consider??vel entre a popula????o, como aconteceu durante a presid??ncia checa da Uni??o Europeia, coincidindo com a crise económica. Era um governo interino de tecnocratas para administrar o pa??s até as eleições antecipadas de Outubro de 2009. Mas um recurso ao Tribunal Constitucional provocou o cancelamento das eleições por alegada inconstitucionalidade. Parece agora que este Executivo temporário continuar?? até Maio de 2010, representando uma s??rie de riscos. O principal deles ?? o económico, porque o desemprego est?? a aumentar, diminui o poder de compra, a dúvida do Estado aproxima-se de 30% do PIB e o d??ficit fiscal ?? provavelmente um recorde: 160,000 milhões de coroas checas, 6.500 milhões de euros.
A situação da Igreja
Na historiografia nacionalista, a Igreja Católica tem sido apresentada como um aliado dos Habsburgos, e contr??ria ??s aspira????es de independ??ncia do povo da Bo??mia. Ap??s a emancipa????o do Imp??rio Austro-H??ngaro, a nova república rejeitou tudo o que tinha alguma coisa a ver com a ??ustria, incluindo o catolicismo. E o que não foi destru??do pelo governo anti-católico que até fundou uma igreja nacional (a Igreja Hussita da Checoslov??quia) , foi-o pelo regime comunista desde 1948.
A f?? foi preservada no campo, mas desapareceu da cidade. Por se ser católico, não se tinha capacidade de acesso a bons empregos, de viajar (mesmo a outros pa??ses comunistas), os filhos não poderiam entrar na universidade, etc. Perante a tentativa do Estado comunista de controlar a Igreja Católica, criando uma espécie de Igreja oficial, come??ou a operar uma igreja subterr??nea. A esta pertenciam pessoas que, por trabalho, raz??es familiares e outras não poderiam externamente demonstrar a sua f??. Infelizmente as situações extremas originam meios extremos. A Igreja subterr??nea usava todos os meios possíveis para salvar a f?? no pa??s, incluindo a ordena????o de sacerdotes sem autoriza????o, fazer mudanças na liturgia. O Cardeal Ratzinger encarregou-se de sanar esses erros ap??s a queda do comunismo.
Agora, a situação eclesi??stica não ?? muito favorável. Segundo o censo de 2001, 27% da popula????o ?? católica, e protestante 2,1%. Entre 1 e 2 por cento declaram uma f?? diferente. O restante não respondeu, o que não significa que sejam oficialmente ateus. Daqueles que se declaram cristãos, apenas uma pequena parte são católicos praticantes. Em Praga, por exemplo, apenas 0,9% do censo indica a frequ??ncia da missa semanal.
Hoje a maioria dos católicos vivem na Mor??via, ou seja, na parte oriental do pa??s. O mundo católico ?? muito pequeno, de modo que a maioria das pessoas se conhecem ou pessoalmente ou atrav??s de um conhecido comum.
Sem acordo entre a Santa S?? e o Estado
Uma das questões pendentes na Igreja na República Checa ?? a nomea????o de um novo arcebispo de Praga, ap??s o an??ncio da retirada do actual titular, o cardeal Miloslav Vlk.
A falta de voca????es sacerdotais ?? outro problema. Nos dois semin??rios no pa??s h?? um total de oitenta seminaristas, um número claramente insuficiente.
Os l??deres políticos t??m uma atitude de confronto com a Igreja. Em Junho de 2003, o Parlamento rejeitou o acordo que foi assinado pelo Ministro dos Neg??cios Estrangeiros e pelo N??ncio de regulamentar as relações entre o Estado e a Igreja Católica. Deputados de diferentes ideologias votaram contra o acordo: os comunistas, a maioria do Partido Democrático C??vico do actual Presidente da República, V??clav Klaus, e parte dos social-democratas.
Ainda hoje a República Checa ?? o ??nico pa??s p??s-comunista centro-europeu que não tem um acordo com o Vaticano. Tamb??m continua por resolver a disputa sobre a propriedade da Catedral de S??o Vito, em Praga.
Ambiente face ?? visita
Dada a crise política e económica e o número relativamente pequeno de católicos praticantes, a visita do Papa não ?? considerado um evento muito importante. Outro motivo pode ser também o temperamento dos checos. Aqui ?? raro gritar, cantar e aclamar a visita do Papa. Não se colocam tarjas ou cartazes nas ruas, nem bandeiras do Vaticano. O ambiente ??, de modo geral, indiferente.
Para muitas pessoas, o Papa ?? mais um governante estrangeiro, embora o seu pa??s seja peculiar. E os meios de comunicação s?? d??o notícias breves da visita. A última foi que o Papa ter?? mais medidas de segurança do que Barack Obama, que visitou o pa??s recentemente.
Mas h?? muita expectativa entre os católicos, que querem saber qual ser?? a mensagem do Santo Padre.
O Papa Bento XVI chega a Praga, no s??bado 26 de Setembro ao meio-dia. De acordo com seu desejo expl??cito, visitar?? a Igreja de Nossa Senhora da Vit??ria, onde se encontra o Menino Jesus de Praga.
Nesse mesmo dia, sobe ao Castelo de Praga, onde est?? planeada uma reunião com o presidente, V??clav Klaus, e outros representantes políticos. Depois destas reuni??es oficiais, o Papa vai rezar na Catedral de S??o Vito, que constitui, juntamente com o Castelo, um dos maiores conjuntos arquitect??nicos do mundo. Na catedral, o Papa reunir-se-?? com os sacerdotes e religiosos.
No domingo, o Papa viajar?? de avi??o para Brno, onde no aeroporto vai celebrar uma missa em que se espera a participa????o de 100.000 pessoas. A celebra????o lit??rgica ter?? lugar aqui em Brno e não em Praga, porque ?? perto da fronteira com a Pol??nia e a Eslov??quia, facilitando assim o afluxo de peregrinos católicos procedentes desses pa??ses. E, al??m disso, como dissemos antes, a maioria dos católicos da República Checa, vive aqui na Mor??via. Depois da missa, o Papa voltar?? a Praga, onde de tarde ter?? primeiro um encontro com representantes do Conselho Mundial de Igrejas e depois com a comunidade universit??ria.
O último dia da visita do Papa ?? segunda-feira 28 de Setembro, Festa de S??o Venceslau. Pela manh??, o Papa viajar?? a Star?? Boleslav e celebrar?? a Missa na Bas??lica de S??o Venceslau. Este encontro ?? dirigido aos jovens e por isso o Papa tem uma mensagem para eles depois do acto lit??rgico.
O presidente da Confer??ncia Episcopal, Jan Graubner, disse que a visita de Bento XVI "?? para n??s um est??mulo para a nossa f?? (...) Para o nosso pa??s ?? uma honra, porque este Papa, como sabemos, não faz tantas viagens como João Paulo II ". E ?? verdade. Esta viagem ser?? a d??cima terceira de Bento XVI. Na Europa, s?? visitou a Alemanha, Pol??nia, Espanha, ??ustria e Fran??a. ?? assim que as esferas oficiais captam a viagem: como uma honra. Os católicos estão entusiasmados. Outros não se importam muito com isso, mas vai deixar seguramente uma marca.

