Apresentar a luz de Cristo ao Homem de hoje
Confrontado aos que reduzem o programa de um Papa a uma s??rie de mudanças estruturais na C??ria romana, etc. - que também podem ter lugar - , a prioridade de Bento XVI, em continuidade com o seu antecessor, configura-se em torno do fortalecimento dos cristãos na f??. Uma f?? que ?? alegria e que salva o homem dos desertos interiores e exteriores, e dos mares amargos de todas as aliena????es.
Cada um ?? amado
A alegria da f?? vem do facto de cada um de n??s ser querido por Deus, como o Papa afirmou na missa de abertura do Pontificado.
"Quantas vezes gostar??amos que Deus se mostrasse mais forte! Que actuasse decisivamente, derrotando o mal e criando um mundo melhor. Todas as ideologias do poder se justificam assim, justificam a destrui????o do que quer que se oponha ao progresso e ?? liberta????o da humanidade. N??s sofremos pela paci??ncia de Deus. E, no entanto, todos precisamos desta sua paci??ncia. O Deus que se fez cordeiro diz-nos que o mundo ?? salvo atrav??s do que ?? destru??do pela impaci??ncia dos homens".
"S?? onde est?? Deus, come??a verdadeiramente a vida. Somente quando encontramos o Deus vivo em Cristo, sabemos o que ?? a vida. N??s não somos o produto casual e sem sentido de uma evolução. Cada um de n??s ?? o resultado de um pensamento de Deus. Cada um de n??s ?? querido, cada um ?? amado, cada um ?? necessário".
Al??m da centralidade da f??, nos seus primeiros discursos indicou outros pontos program??ticos, embora - como disse - "n??o deixar??o de aparecer outras ocasi??es" para voltar a falar do assunto". De seguida, apresentamos os pontos mais significativos.
Escutar Cristo
Talvez o ponto que de maior ??nfase seja o da própria resposta pessoal do Papa. "O meu verdadeiro programa de governo - disse ainda na missa do domingo, 24 de Abril - ?? não fazer a minha vontade, não seguir as minhas próprias ideias, mas p??r-me, unido a toda a Igreja, ?? escuta da palavra e da vontade do Senhor e deixar-me conduzir por Ele, de tal forma que seja o próprio Cristo a conduzir a Igreja nesta hora da nossa história".
O Papa, te??logo reconhecido, ser?? o pastor Bento XVI, não o professor Ratzinger. E p??e os seus talentos humanos ao serviço do seu minist??rio. Na missa, com o col??gio cardinal??cio, de 20 de Abril, o dia a seguir ao da sua eleição, afirmou que "o Senhor quis-me para seu Vig??rio, quis-me ???pedra' sobre a qual todos pudessem apoiar-se com segurança. Pe??o-lhe para compensar a pobreza das minhas for??as, para que seja um pastor do seu rebanho valente e leal, sempre d??cil ??s inspira????es do seu Esp??rito". O novo Papa, disse, "sabe que a sua missão ?? fazer brilhar a luz de Cristo diante dos homens e mulheres de hoje: não a luz própria, mas a de Cristo".
Heran??a de João Paulo II
As refer??ncias a João Paulo II, ao exemplo da sua vida e da sua morte, foram constantes nas primeiras interven????es de Bento XVI. Algumas inclu??am aspectos muito pessoais. Assim, face ao "sentido da despropor????o e da perturba????o humana" que o envolveram pela responsabilidade que lhe ca??a sobre os ombros, confessou aos cardeais que se sentia sereno: "Uma gra??a especial que me concedeu o meu venerado predecessor, João Paulo II. Parece-me sentir a sua m??o forte a apertar a minha; parece-me ver os seus olhos sorridentes e ouvir as suas palavras, dirigidas particularmente a mim neste momento: não tenhas medo!".
Mencionou em várias ocasi??es a heran??a que recebeu. João Paulo II "deixa uma Igreja mais valente, mais livre, mais jovem. Uma Igreja que, segundo o seu ensinamento e exemplo, olha com serenidade para o passado e não tem medo do futuro", disse aos cardeais. Na missa do início do pontificado acrescentou: "Sim, a Igreja est?? viva; esta ?? a maravilhosa experiência destes dias. Precisamente, durante os tristes dias da doença e da morte do Papa, algo se manifestou de um modo maravilhosamente evidente aos nossos olhos: que a Igreja est?? viva. E a Igreja ?? jovem. Ela tem em si o futuro do mundo e, portanto, indica-nos também, a cada um de n??s, o caminho em direcção ao futuro".
Na linha do Vaticano II
Com o Jubileu do Ano 2000, "a Igreja entrou no novo mil??nio levando nas m??os o Evangelho, aplicado ao mundo atrav??s da releitura autorizada do Conc??lio Vaticano II". Se João Paulo II chamou ao Conc??lio a "b??ssola" de orienta????o no terceiro mil??nio, "também eu quero afirmar, com for??a decisiva, a vontade de manter os mesmos esfor??os, na sequência do Conc??lio Vaticano II, seguindo os passos dos meus predecessores e a fiel continuidade da tradi????o bimilen??ria da Igreja".
Para Bento XVI ?? significativa a coincid??ncia de a sua eleição ter ocorrido em pleno ano dedicado ?? Eucaristia, "centro permanente e fonte do serviço petrino que me foi confiado". "Pe??o a todos que intensifiquem nos próximos meses o amor e a devo????o a Jesus na Eucaristia e expressem valente e claramente a f?? na presen??a real do Senhor, de modo especial atrav??s da solenidade e da correc????o das celebra????es".
Ecumenismo (cf. O j?? publicado no site: Balan??o de 2005)
Di??logo inter-religioso
A par com o tema da unidade entre os cristãos, o Papa também se referiu ??s relações com os crentes de outras religi??es e com "aqueles que simplesmente procuram uma resposta ??s questões fundamentais da exist??ncia e ainda não a encontraram". Muito concretos foram j?? os seus gestos para com o povo judeu, "ao qual estamos estreitamente unidos por um grande patrim??nio espiritual comum, que enraiza nas promessas irrevog??veis de Deus".
A todos "me dirijo com simplicidade e carinho, garantindo que a Igreja quer continuar a tecer com eles um diálogo aberto e sincero, na busca do verdadeiro bem do homem e da sociedade". O Papa não poupar?? esfor??os e sacrif??cio para prosseguir o diálogo com "as diversas civiliza????es, para que da compreens??o recíproca nas??am as condições para um futuro melhor para todos".
Aos jovens, sem medo
"Penso particularmente nos jovens. Para eles, interlocutores privilegiados de João Paulo II, vai o meu abra??o afectuoso esperando, com a media????o de Deus, de que nos encontraremos em Col??nia, na próxima Jornada Mundial da Juventude. Convosco, queridos jovens, futuro e esperança da Igreja e da humanidade, continuarei a dialogar, escutando as vossas esperanças, com a inten????o de vos ajudar a encontrarem sempre, de forma mais profunda, a Cristo, o eternamente jovem".
Estas palavras, pronunciadas face ao col??gio cardinal??cio, foram completadas na missa de domingo. Recordou que a exclama????o "Não tenhais medo!" de João Paulo II se dirigia a eles, jovens, em especial: "Não teremos todos, de certa maneira, medo de que, se deixarmos entrar Cristo totalmente em n??s, se nos abrirmos totalmente a ele, ele possa interferir nas nossas vidas? Teremos medo de abrir m??o de algo grande, ??nico, que torna a vida mais bela? Não corremos o risco de nos metermos em apuros e sermos privados da nossa liberdade?
"E no entanto o Papa queria dizer: N??o! Quem deixa entrar Cristo na sua vida, não perde nada, nada, - absolutamente nada - do que faz a vida livre, bela e grande. N??o! S?? com esta amizade são abertas as portas da vida. S?? com esta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condi????o humana. S?? com esta amizade experimentamos o que ?? belo e o que nos torna livres. Assim, hoje, eu gostava, com grande for??a e grande convic????o, a partir da experiência de uma longa vida pessoal, dizer-vos, queridos jovens: Não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada e d?? tudo. Quem se d?? a ele, recebe cem vezes mais. Sim, abri, abri de par em par as portas a Cristo, e encontrareis a verdadeira vida".
Diego Contreras
Informação sobre a actividade mais recente de Bento XVI:
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