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Colmatar a brecha entre económico e social

 Pontifício
Colmatar a brecha entre económico e social

Uma mensagem importante que a Caritas in Veritate nos transmite ?? o convite a superar a dicotomia j?? obsoleta entre a esfera económica e a esfera social. A modernidade deixou-nos em heran??a a ideia segundo a qual para poder operar no campo da economia ?? indispens??vel procurar o lucro e mover-se sobretudo pelo próprio interesse; isto equivale a dizer que não se ?? plenamente empres??rio si não se perseguir a maximiza????o do lucro. Caso contr??rio, haveria que contentar-se fazendo parte da esfera social.

 

Esta conceptualiza????o, que confunde economia de mercado, que ?? o g??nero, com uma das suas espécies, como ?? o sistema capitalista, levou a identificar a economia com o lugar da produção da riqueza (ou do r??dito) e o social com o lugar da solidariedade para uma distribuição equitativa da mesma.


Outros modos de fazer empresa

 

A Caritas in Veritate diz-nos, pelo contr??rio, que se pode fazer empresa também na prossecu????o de fins de utilidade social e actuando por motiva????es deste tipo. Esta ?? uma maneira concreta, embora não ??nica, de colmatar a brecha entre económico e social, dado que uma gestão económica que não incorporasse a dimens??o social não seria eticamente aceit??vel, como também ?? verdade que uma gestão social meramente redistributiva, que não tenha em conta o v??nculo dos recursos, a longo prazo não seria sustent??vel, pois antes de poder distribuir ?? necessário produzir.

 

?? de agradecer a Bento XVI de modo especial por ter sublinhado que a gestão económica não ?? algo de separado e alheio aos princ??pios fundamentais da doutrina social da Igreja, que s??o: centralidade da pessoa humana, solidariedade, subsidiariedade e bem comum. é preciso superar a concepção pr??tica segundo a qual os valores da doutrina social da Igreja unicamente deveriam encontrar espa??o nas obras de ??ndole social, enquanto que aos especialistas em efici??ncia corresponderia a tarefa de guiar a economia. Esta enc??clica tem o m??rito, por certo nada secundário, de contribuir para colmatar essa lacuna, cultural e política ao mesmo tempo.

 

Ora bem, a Caritas in Veritate proporciona-nos o benef??cio, bem grande, de tomar em consideração aquela concepção de mercado, t??pica da tradi????o de pensamento da economia civil, segundo a qual se pode viver a experiência da sociabilidade humana dentro de uma vida económica normal e não fora dela ou ?? margem dela. Esta ?? uma concepção que se poderia designar alternativa, quer em relação ?? que v?? o mercado como lugar da explora????o e do atropelo do forte sobre o fraco, quer em relação ?? que, na linha do pensamento liberal an??rquico, o v?? como lugar capaz de dar solução a todos os problemas da sociedade.

 

Este modo de fazer empresa diferencia-se da economia de tradi????o smithiana, segundo a qual o mercado ?? a única institui????o realmente necessária para a democracia e para a liberdade. A doutrina social da Igreja recorda-nos, pelo contr??rio, que uma boa sociedade ?? fruto do mercado e da liberdade, mas que existem exigências, atribu??veis ao princ??pio de fraternidade, que não se podem iludir nem remeter unicamente para o ??mbito privado ou para a filantropia. Prop??e antes um humanismo de mais dimensões, em que não se combate ou "controla" o mercado, mas que se contempla como momento importante da esfera pública -esfera que ?? muito mais ampla que o meramente estatal- que, se for concebida e vivida como lugar aberto também aos princ??pios de reciprocidade e de dom, pode construir una sadia conviv??ncia civil.


Aceprensa


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