Um retrato da Igreja norte-americana que o Papa vai encontrar
O Papa viaja a um pa??s de maioria protestante (51,3%) no qual cerca de um quarto da sua popula????o se declara católica (23,9%). Visita uma na????o que experimenta desde h?? anos um crescimento importante em mudanças de filia????o religiosa dos fi??is das diversas cren??as. No entanto, a Igreja Católica "mant??m os seus números" e permanece ?? volta dos 25% desde h?? 30 anos, devido ?? chegada de imigrantes católicos procedentes principalmente da Am??rica Latina: cerca de 46% dos imigrantes norte-americanos declaram-se católicos.
O relatório destaca também que "a Igreja Católica continua a atrair umbom número de convertidos" e conclui que 2,6% dos norte-americanos adultos passaram para o catolicismo depois de ter praticado outra religi??o ou de não ter praticado nenhuma.
A influência latina
Tendo em conta que, segundo as estat??sticas, a presen??a latina nosEstados Unidos passar?? de 14% em 2005 (42 milhões) a 29% em 2050, ?? claro que a evolução do catolicismo norte-americano estar?? muito ligada ?? imigração. Mais ainda se se tem em conta que os imigrantes engrossam principalmente os sectores mais jovens da Igreja norte-americana: hoje em dia são latinos cerca de metade dos católicos dos Estados Unidos com menos de 40 anos.
Estas altera????es estão a deslocar os centros geogr??ficos da Igrejanorte-americana. Historicamente tinha o seu n??cleo no nordeste e ainda hoje se situa ali um ter??o dos católicos dos Estados Unidos, mas o sul est?? a adquirir cada vez maior for??a. Nas cidades que o Papa visitar??, a maioriados católicos são nascidos nos Estados Unidos: em Washington D.C. 63% dos católicos são do pa??s (23% latinos) e na cidade de Nova Iorque 61% são também nativos (34% latinos).
Os diferentes níveis de educa????o são outro reflexo importante doscatólicos norte-americanos. Enquanto que entre os católicos nascidos no pa??s, em cada dez, mais de nove terminaram os estudos secundários (94%), a propor????o baixa para seis em cada dez católicos latinos (42%). E, sob o ponto de vista económico as diferenças também são not??veis: mais de metade dos católicos hispânicos t??m rendimentos abaixo dos 30.000 dólares por ano, enquanto que s?? 20% dos católicos nativos dos Estados Unidos se encontram nesse nível de ingressos.
Semelhante paisagem demogr??fica pode ser completada com as estat??sticas da pr??tica religiosa. A percentagem de católicos que v??o ?? igreja regularmente ?? de 41%, sem que haja nisto diferenças significativas entre os grupos que se v??m analisando. H?? uma diferença um pouco maior quando se pergunta sobre a import??ncia que se concede ?? Igreja: 68% dos latinos considera-a muito relevante nas suas vidas, enquanto que a percentagem baixa (54%) quando se faz esta pergunta aos nativos.
O relatório acrescenta também que as mulheres d??o mais import??ncia?? religi??o (67%) que os homens (47%). Quanto ?? pr??tica da ora????o, 56% dos católicos afirma que reza diariamente: reza-se mais no sul e as mulheres praticam mais a ora????o di??ria.
Um dos efeitos desta nova composi????o da Igreja norte-americana ?? o auge das tendências carism??ticas. Os hispânicos mostram-se mais favoráveis ??s manifestações externas nas celebra????es lit??rgicas (cantos, aplausos, dar as m??os nalgumas ora????es, etc.) e p??em especial ??nfase nas interven????es divinas na vida corrente, nas revela????es directas e na import??ncia dos exorcismos.
Doutrina oficial e opini??es
Quanto aos grandes temas da política social e familiar, o estudo do PewResearch Center analisa as opini??es dos católicos norte-americanos perante questões controversas como o aborto, as uni??es homossexuais, a pena de morte, etc.
Apesar da clara oposi????o da Igreja ao aborto, chama a aten????o que umaex??gua maioria de católicos (51%) pense que o aborto deveria ser legal,enquanto 44% se op??e ao aborto em todos os casos. D?? pistas interessantes o dado de que entre os católicos naturais do pa??s que frequentam a igreja, 60% se oponha ao aborto em todos os casos (a percentagem dos hispânicos ?? de 53%).
A discrep??ncia entre a doutrina da Igreja e a opinião de muitos fi??ismanifesta-se também na pena de morte. A Igreja milita activamente contra ela, mas num inqu??rito realizado em Agosto de 2007, seis em cada dez católicos exprimiram o seu apoio ?? pena de morte, enquanto que s?? 35% se opunham a ela. A percentagem neste caso não varia muito entre praticantes e não praticantes, mas reduz-se a 47% a percentagem de hispânicos que apoiam a pena capital.
A não aceitação do chamado casamento gay ?? mais un??nime entre os brancos católicos que v??o ?? Igreja ao menos uma vez por semana (59%) do que os que v??o com menor frequ??ncia (42%). E entre os hispânicos, op??em-se a ele uma ligeira maioria (52%), tendo em conta que um bom número de inquiridos não possui uma clara opinião a este respeito (16%).
Nos outros assuntos do debate político, as posi????es dos católicos não sediferenciam quase nada do resto da popula????o. Destaca-se uma atitude mais positiva que a m??dia para com a imigração, pois ?? maiorit??rio o número daqueles que opinam que os imigrantes fortalecem a sociedade americana. Mesmo assim, existe uma certa unanimidade (70%) em pedir ao governo que garanta um seguro de sa??de para todos os cidad??os.

