O celibato sacerdotal, na ??ustria e no Vietname
O cardeal Sch??nborn apresentou ao prefeito da Congrega????o para o Clero um memorando resultante de uma "iniciativa de leigos austr??acos" no qual se prop??em uma s??rie de reformas para obviar a escassez de clero cada vez mais alarmante na ??ustria. Mesmo sem as partilhar, o arcebispo de Viena comprometeu-se com os promotores a transmiti-las a Roma.
Não h?? nada de novo: fim do celibato sacerdotal, readmissão ao exercício do minist??rio dos sacerdotes casados, ordena????o dos chamados "viri probati" (homens testados), ordena????o diaconal das mulheres. Na ??ustria, pelo menos desde 1995, repetem-se ciclicamente manifestos ou propostas populares de grupos que se auto-proclamam como representantes dos leigos católicos e cujos pedidos se referem sempre ao celibato sacerdotal, ?? moral sexual e aos divorciados que voltaram a casar.
Este clima reivindicativo ?? inversamente proporcional ?? vitalidade da Igreja. Os números oficiais dizem que 72 % dos austr??acos são católicos, ainda que segundo o European Social Survey de 2005 os austr??acos que assim se reconhecem descem para 63,9 %, enquanto que a pr??tica dominical ronda uns escassos 10 %.
Cada ano milhares de pessoas "abandonam" oficialmente a Igreja católica, para não pagar o imposto de 1,5 % dos seus vencimentos com os quais se financia a Igreja. Em 2006 foram 36.645 pessoas que sa??ram. O número de sacerdotes diminuiu pelo menos 12 % desde 1997.
O declive ?? ineg??vel. O que se pode discutir ?? a interpreta????o. Uns, como ?? o caso dos promotores do memorando, repetem que a inflexibilidade doutrinal afasta as pessoas; e ?? necessário adaptar-se mais ao que pede a sociedade. Para outros, pelo contr??rio, os números confirmam que a falta de fidelidade ?? doutrina leva ao fracasso pastoral; a Igre-ja não interessa quando deixa de se distinguir do ambiente que a circunda.
Para ver se ?? a doutrina actual da Igreja a que dificulta a evangeliza????o, ?? interessante confrontar a situação da Igreja na ??ustria com a do Vietname. Ambas t??m um número semelhante de católicos: 5,7 milhões na ??ustria, um pa??s, em teoria, de maioria católica; 6,1 milhões no Vietname, onde os católicos são 6,8 % da popula????o. O primeiro pa??s em retrocesso, o segundo em constante progresso. Um pa??s europeu onde a liberdade religiosa ?? total e que não encontra limita????es al??m das press??es de grupos organizados dentro da igreja; e um pa??s asi??tico sob o domínio comunista, onde é preciso conquistar a liberdade religiosa todos os dias perante o controlo do poder. Um pa??s europeu rico, onde a Igreja conta com um financiamento assegurado para sustentar as suas estruturas e a sua burocracia; e um pa??s asi??tico que luta para sair da pobreza, e no qual a Igreja perdeu escolas, hospitais e outras instituições confiscadas pelo governo comunista.
Tamb??m os semin??rios estiveram fechados uns anos depois da guerra, e quando reabriram s?? podiam admitir um número limitado de candidatos, fixado pelo governo. Hoje essas limita????es desapareceram e as voca????es são numerosas: 2.186 no semin??rio maior, com um aumento de 38 % em relação a 2002. H?? seis semin??rios maiores inter-diocesanos e outro em prepara????o. O seu problema não ?? de falta de seminaristas, mas sim a necessidade de aumentar os formadores.
Os sacerdotes diocesanos aumentaram mais de 34 % no mesmo per??odo, e hoje são 2.877, mais que na ??ustria (2.629) e sem dúvida de uma idade m??dia muito mais jovem.
No Vietname o celibato sacerdotal não parece ser um problema para encher os semin??-rios, nem ningu??m coloca o problema de ordenar homens casados.
Ser??o feitos de massa diferente os austr??acos e os vietnamitas? Um dado evidente ?? a vibrante vitalidade espiritual da comunidade católica do Vietname. A assist??ncia ?? Missa ?? muito elevada aos domingos (80-90 %) e ?? volta de 15 % ?? semana. H?? um grande interesse pelo estudo do catecismo e pelo conhecimento da Sagrada Escritura. Em todas as par??quias h?? movimentos de apostolado laical, que não se dedicam a redigir memorandos. Mas, pelo contr??rio, apoiam totalmente os seus bispos, também quando t??m de resistir ??s press??es do poder. Esse ?? o caldo de cultura das voca????es sacerdotais.
Quando uma igreja se confronta com a escassez de voca????es, a primeira coisa a fazer ?? procurar saber quais as reformas deve fazer no seu interior para aumentar a temperatura espiritual. Na Europa, entre 2000 e 2007 o número de seminaristas caiu 17 %; na ??sia, aumentou 20 %. E o que se pede aos sacerdotes não muda segundo os continentes. Talvez os católicos austr??acos pudessem mandar uma comissão ao Vietname para ver como eles procedem.

