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??ndia: violência anti - cristã com fins políticos

 Liberdade Religiosa
Radicais hindus mostram ressentimento pelas convers??es ao cristianismo
??ndia: violência anti - cristã com fins políticos

Estas, por sua vez, replicam negando as agress??es ou atribuindo-as ?? indigna????o popular pelas "convers??es for??adas" ao cristianismo pelas respectivas Igrejas. As autoridades locais, quase todas nas m??os do hindu??sta Bharatiya Janata Party (Partido Popular Indiano ou BJP), de um modo geral, t??m-se distinguido pela passividade.

 

At?? fins de Setembro continuaram os actos de violência nos templos e contra os fi??is cristãos em mais quatro estados, al??m de Orissa: Chhattisgarh, Madhya Pradesh, Karnataka e Kerala. Todos menos o último, tradicional feudo comunista, t??m governos do BJP. Os incidentes mais graves ocorreram em Orissa, onde morreram aproximadamente 40 cristãos, segundo estimativas do All India Christian Council (AICC). Noutros estados os ataques consistiram, sobretudo, em destrui????o e profana????es de templos.

 

Pensa-se que os ataques estejam a ser incitados pelas organiza????es hindu??stas, em particular Bajrang Dal, a sec????o juvenil do Vishva Hindu Parishad (Congresso Hindu Mundial ou VHP). Estes grupos e outros afins excitam com frequ??ncia o nacionalismo hindu para benef??cio eleitoral do BJP, que ostenta a representa????o política da mesma ideologia. Os dist??rbios recentes chegaram na proximidade das eleições estatais em Madhya Pradesh e Chhattisgarh (Dezembro próximo), e com uma diferença um pouco maior das de Orissa e das nacionais (Primavera de 2009).

 

A motiva????o política ?? evidente para Mohammed Shafi Qureshi, presidente da Comis??o Nacional para as Minorias, que ao terminar uma inspec????o em Karnataka declarou: "?? incr??vel o que verificamos. As turbas devastaram igrejas e casas particulares, espancaram freiras e a polícia não apareceu... O governo do estado ?? responsável por estes factos. Se o BJP não tivesse chegado ao poder [nas eleições estatais de Maio passado], isto não teria acontecido" (cfr. The Christian Science Monitor, 24-09-2008).

 

Gauri Prasad Rath, secret??rio-geral do VHP em Orissa, conta a história de modo muito diferente. "Não houve violência - diz. E se houve alguma, deve-se ??s convers??es fraudulentas que os cristãos estão a praticar. Foram eles que incendiaram as suas próprias igrejas" (ibid.).


Os bispos dirigem-se ao governo

 

As acusa????es feitas aos cristãos por usarem de coac????o ou suborno para conseguirem convers??es repetem-se h?? alguns anos e noutras ocasi??es também geraram como agora, reac????es de violência em radicais hindus. Seis estados (entre elos os quatro aqui citados, do partido do BJP) aprovaram leis contra as "convers??es for??adas". Mas até agora, poucos casos chegaram aos tribunais e nenhum deles terminou em condena????o.

 

Os hindu??stas consideram a sua religi??o como um elemento fundamental da identidade indiana e por isso, encaram as convers??es com desconfian??a. Tamb??m h?? aqui um factor social de influência. Os que se convertem ao cristianismo procedem sobretudo das camadas mais baixas da sociedade indiana: os membros de tribos não hindu??stas, mas sim animistas, que estão fora do sistema de castas e os da casta mais baixa ou dalits.

 

A uns e outros, pouco considerados pela maioria hindu, se destinam os serviços de assist??ncia promovidos pela Igreja Católica e por outras comunidades cristãs (processo pelo qual, dizem os hindu??stas, "compram" as convers??es). Por outro lado, quem deixa de ser hindu, em teoria fica excluído do sistema de castas. Mas os dalits que passam ao cristianismo reclamam o direito de continuar a receber as ajudas (como quotas de emprego público ou lugares nas universidades) previstas na lei para esta casta. A manifesta????o que se realizou em Orissa a favor desta causa foi um motivo mais de tens??o com os grupos hindu??stas.

 

Face ??s susceptibilidades e protestos de radicais, o cardeal Oswald Gracias, arcebispo de Mumbai (ex-Bombaim), insiste em que a Igreja católica "continuar?? a estar ao lado dos pobres, dos doentes, sem distinguir hindus, muçulmanos ou cristãos" (cfr. Zenit, 24-09-2008).

 

Perante a passividade das autoridades locais, os bispos católicos dirigiram-se ao governo indiano para pedir protecção para os cristãos. A 20 de Setiembro, o AICC reuniu mais de 15.000 pessoas num acto público de protesto contra a violência. Outra declaração de condena????o saiu do Partido Comunista da ??ndia, que qualificou de "vergonhosa a continua????o de ataques contra cl??rigos, freiras e igrejas".

 

Aceprensa