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O candidato ao sacerd??cio deve ter maturidade psicológica e estabilidade afectiva

 Liberdade Religiosa
Documento com especial actualidade no Ano Sacerdotal. Um documento da Santa S?? admite que os bispos possam recorrer em alguns casos ?? ajuda de psicólogos.
O candidato ao sacerd??cio deve ter maturidade psicológica e estabilidade afectiva

O documento, publicado no passado dia 30 de Outubro pela Congrega????o para a Educa????o Católica, assinala que o bispo e os responsáveis pela formação dos candidatos podem solicitar, como ajuda para o seu trabalho de discernimento, os serviços profissionais de especialistas em psicologia. Mas trata-se de uma colabora????o que ser?? prestada apenas "em alguns casos" e sob determinadas condições (entre elas a vis??o antropológica cristã do psicólogo e o consentimento livre e expl??cito do interessado).

 

Apesar de ter sido apresentado por boa parte da imprensa como um documento para afastar candidatos homossexuais, as quinze p??ginas do texto oferecem uma proposta que vai muito mais al??m. Na realidade, o mesmo organismo do Vaticano j?? tinha publicado em 2005 uma instru????o sobre a admissão ao semin??rio de pessoas com tendência homossexual. O novo documento menciona o equil??brio sexual como uma caracter??stica dentro de um conjunto mais amplo. E repete que as tendências homossexuais fortemente arreigadas, inclusive nos casos em que não haja uma actividade homossexual, indicam falta de idoneidade para o sacerd??cio, pois "a castidade pelo Reino ?? muito mais que a simples car??ncia de relações sexuais".

 

A finalidade do documento ?? a que se enuncia no seu título: dar "Orienta????es para o uso das competências da psicologia na admissão e na formação dos candidatos ao sacerd??cio".

 

Os candidatos ao sacerd??cio necessitam "capacidade para se relacionarem de forma madura com outras pessoas ou grupos de pessoas; um s??lido sentido de perten??a, fundamento da futura comunh??o com o presbit??rio e de uma responsável colabora????o com o Bispo; a liberdade de se entusiasmarem por grandes ideais e a coer??ncia para os realizar na ac????o di??ria; a coragem de tomarem decisões e de permanecerem fi??is; o conhecimento próprio, das próprias capacidades e limites, integrando-os numa boa estima de si mesmo ante Deus; a capacidade de se corrigirem; o gosto da beleza, entendida como ???esplendor da verdade', e a arte de a reconhecer; a confian??a que nasce da estima pelo outro e que leva ao acolhimento".

 

O documento sublinha que compete ?? Igreja discernir a voca????o e a idoneidade dos candidatos ao minist??rio sacerdotal. Neste sentido, constata que entre os que pedem para entrar no semin??rio actualmente, estão presentes algumas dificuldades próprias do contexto s??cio-cultural em que vivemos: os efeitos de uma mentalidade caracterizada pelo consumismo, pela instabilidade das relações familiares e sociais, pelo relativismo moral, por vis??es equivocadas da sociedade, pela precariedade das op????es, por um sistem??tico trabalho de nega????o dos valores.

 

Daqui que, junto a dificuldades ordin??rias, se possam apresentar aos candidatos outros problemas que não os tornam id??neos para o sacerd??cio. Mencionam-se, entre outras, a excessiva depend??ncia afectiva, uma agressividade desproporcionada, a dificuldade de manter relações serenas, a identidade sexual confusa, a falta de lealdade, a incapacidade de respeitar as responsabilidades assumidas.

 

A ideia de partida do texto ?? que a dimens??o humana ?? o fundamento de toda a formação e que é preciso avaliar com antecipa????o tais disposi????es: "discerni-las a tempo evitar?? muitos dramas" aos próprios interessados, aos fi??is e ?? Igreja. Exemplos negativos não t??m faltado, com efeito, nos últimos tempos. Ainda que o texto não o diga, parece ??bvio que a escassez de candidatos ao sacerd??cio que se observa em alguns pa??ses não pode ser uma desculpa para diminuir essas exigências.

 

Aceprensa