A luta pela liberdade e a procura da verdade andam de m??os dadas
"A busca da verdade, longe de amea??ar a toler??ncia, torna o consenso possível e permite ao debate público manter-se lógico, honesto e responsável"
Apelou ?? responsabilidade de os l??deres religiosos, políticos e culturais para participarem "na luta pela liberdade e na procura da verdade: ou as duas caminham juntas, de m??os dadas , ou ent??o perecem juntas miseravelmente".
Isto ?? mais necessário na "actual encruzilhada de civiliza????es, t??o frequentemente marcada por uma alarmante separa????o da unidade de bondade, verdade e beleza, e pela consequente dificuldade de encontrar um consenso sobre os valores comuns." Para os encontrar, ?? indispens??vel procurar a verdade universal, acima dos interesses individuais.
Talvez indo ao encontro da objec????o de quem teme que falar de verdade possa equivaler a impor uniformidade, Bento XVI afirmou: "A busca da verdade, longe de amea??ar a toler??ncia das diferenças ou o pluralismo cultural, torna o consenso possível e permite ao debate público conservar-se lógico, honesto e responsável, assegurando aquela unidade que as no????es superficiais de integração simplesmente não são capazes de realizar."
A verdade vence gra??as ?? persuas??o
Bento XVI aludiu ao lema da bandeira do Presidente da República Checa - "Veritas vincit" - para recordar que "em última an??lise, a verdade vence realmente, não com a for??a, mas gra??as ?? persuas??o, ao testemunho heróico de homens e mulheres de princ??pios s??lidos, ao diálogo sincero que sabe olhar, para al??m do interesse pessoal, para as necessidades do bem comum".
Reconheceu que "a história demonstrou amplamente que a verdade pode ser atrai??oada e manipulada ao serviço de ideologias falsas, da opress??o e da injusti??a."
Mas pediu para ningu??m se deixar intimidar por essas amea??as. "No final, o que ?? mais desumano e destruidor do que o cinismo que gostaria de negar a grandeza da nossa busca da verdade, e do relativismo, que corr??i os próprios valores que sustentam a construção de um mundo unido e fraterno? Pelo contr??rio, n??s temos de readquirir a confian??a na nobreza e na grandeza do esp??rito humano, pela sua capacidade de alcançar a verdade, e deixar que esta confian??a nos guie no trabalho paciente da política e da diplomacia."
A Europa como "casa"
"Para os cristãos - disse Bento XVI - a verdade tem um nome: Deus. E o bem tem um rosto: Jesus Cristo". A f?? cristã tem desempenhado um papel decisivo na heran??a espiritual e cultural da República Checa e de todo o continente europeu.
Aqui, o Papa evocou a ideia da Europa como "casa" como p??tria espiritual. "A Europa ?? mais do que um continente. ?? uma casa! E a liberdade encontra o seu significado mais profundo precisamente no facto de ser uma p??tria espiritual. No pleno respeito pela distin????o entre as esferas política e religiosa - distin????o que garante a liberdade de expressar o próprio credo religioso e de viver em harmonia com ele - desejo evidenciar novamente o papel insubstitu??vel do Cristianismo para a formação da consciência de cada gera????o e para a promo????o de um consenso ??tico de base, ao serviço de cada pessoa, que chama a este continente ???casa'!
Praga, a bela capital da República Checa, ?? conhecida como o "cora????o da Europa", e isto levou o Papa a perguntar-se em que consiste este "cora????o" e a fazer notar que as j??ias arquitect??nicas da cidade disso são um indício. "A beleza extraordin??ria das suas igrejas, do castelo, das pra??as e das pontes não podem deixar de orientar as nossas mentes para Deus. A sua beleza exprime f??; são epifanias de Deus que, justamente, nos permitem considerar as grandes maravilhas ??s quais n??s, criaturas, podemos aspirar quando damos express??o ??s dimensões est??tica e cognoscitiva do nosso ser mais profundo. Como seria tr??gico se se admirassem tais exemplos de beleza, ignorando contudo o mistério transcendente que eles indicam".
O Papa afirmou que esta vis??o, "sens??vel ?? presen??a de Deus no meio de n??s, ... ao plasmar o patrim??nio cultural deste continente, iluminou claramente o facto de que a raz??o não termina com aquilo que o olho v?? mas, ao contr??rio, ela ?? atra??da pelo que est?? al??m, por aquilo a que n??s aspiramos profundamente: poder??amos dizer, o Esp??rito da Cria????o".

