Sylvie Menard pensa que quando se est?? com sa??de não se tem a ideia do que viria a pensar como doente
Antiga aluna do professor Veronesi ??? pai do testamento vital em It??lia ??? afirma que sempre esteve convencida de que cada um deve decidir a sua sorte, mas ???quando adoeci, mudei radicalmente de opinião???.
A aproxima????o pessoal ?? doença grave e a vizinhan??a da morte, mudou a sua opinião: ???Quando adoecemos, a morte deixa de ser algo virtual e converte-se em algo que nos acompanha na vida di??ria. E ent??o dizemos: ???vou fazer todo o possível para viver o maior tempo possível??????. Foi ent??o que a doutora Sylvie Menard mudou completamente as suas atitudes e, se antes se opunha a tratamentos que, com facilidade, qualificava de crueldade, agora reconhece que ???hoje qualquer coisa me serve se implica uma nova possibilidade de vida???.
Menard ?? casada e tem um filho. Actualmente ?? a directora do Departamento de Oncologia Experimental do Istituto dei Tumori de Mil??n. Para ela, os que dizem sim ?? eutan??sia, fazem-no por dois motivos: não querem sofrer nem perder a auto-sufici??ncia tornando-se uma carga para os outros. Sylvie Menard, como doente, reconhece que ???n??o quer ter dores??? e que ???o doente tem direito a ser aliviado???. Como m??dica, d?? uma resposta consoladora: ???a terapia da dor tem avan??ado ostensivamente nos últimos anos???. Em relação ?? auto-sufici??ncia de que tem saudades quem a perdeu pela doença, Menard pensa que ???inclusivamente se algu??m não est?? na plenitude das suas faculdades e não pode levantar-se porque est?? estendido numa cama, mas conta com o afecto dos seus familiares, em minha opinião, inclusivamente nessas condições, vale a pena viver???.
Menard sustenta que sobre os pedidos de eutan??sia dos doentes em fase terminal h?? muitos mitos. Citando um estudo feito no Canad??, baseado num inqu??rito a doentes terminais, diz que a?? se via que na maioria dos casos ???os que estão a favor, est??o-no para o da cama ao lado, mas não para si mesmos???. E ???os que na primeira entrevista estavam a favor, j?? o não estavam na segunda, porque muda-se facilmente de opinião, dependendo do estado de ??nimo???. Quanto a outro tipo de inqu??ritos, afirma que ???os que estando com sa??de se pronunciam sobre a eutan??sia, na realidade não t??m ideia do que pensariam se estivessem doentes???.
Actualmente, Sylvie Menard forma parte de uma equipa que procura humanizar a medicina. ???Com os anos, a medicina tornou-se mais tecnológica??? e muitas vezes ???v??-se o doente fragmentado???. O que falta ??? continua a m??dica ??? ?? o que une todas as pe??as. O doente, com as suas preocupações e as suas perguntas, ?? abandonado???.
Como doente e como m??dica, defende com vigor os cuidados paliativos. Diz que ???s??o cuidados para a pessoa, não para a doença???, porque ??? podem eliminar a dor???; mas não s?? apenas isso, também que a medicina paliativa ????? tudo aquilo que melhore a qualidade de vida do doente em fase terminal???. E no seu papel de m??dica, confirma que ????? medicina não se pede que cure a doença, mas sim que cure o doente???. Por isso, ?? de opinião que ???se um doente me pede a morte, significa que eu não cumpri com o meu dever de m??dica???.

