???A eutan??sia ?? o contr??rio da medicina???
"Vi muitas vezes chegar ao hospital doentes graves ao ponto de estarem mergulhados num estado de semi-coma. E quando os retir??vamos desse estado com uma reanima????o adequada diziam-me: ???Quando me d?? alta? Gostava um dia de ir ?? C??te d'Azur para recuperar'. Pensando nestes doentes, digo que se tivesse sido autorizado por um ???testamento vital' escrito, encontrado por acaso entre os pap??is deles, para abreviar activamente as suas vidas enquanto se encontravam em semi-coma, teria cometido um verdadeiro e aut??ntico crime, mesmo que contando com o apoio da família e da lei."
Qualquer dor pode ser aliviada
Isra??l diz que poucas vezes eram os doentes que lhe pediam que abreviasse as suas vidas. "Acontecia mais as famílias dos doentes graves me dizerem que não podiam suportar os pedidos de eutan??sia do seu familiar. Ent??o respondia-lhes: ???Um m??dico não pode matar um semelhante. Faz tudo o que ?? necessário para aliviar as suas dores f??sicas e as suas dificuldades psicológicas atrav??s da terap??utica, da amabilidade e de tudo o que lhe fa??a sentir que h?? algu??m a seu lado que se ocupa dele. Mas est?? fora de causa que eu ou um dos meus alunos aceitemos matar um semelhante nosso".
"N??s m??dicos existimos para dar aos pacientes, em simult??neo, o m??ximo de conforto, de ajuda e de amizade. Um doente -mas também uma pessoa com sa??de- não deve poder imaginar que alguma vez os m??dicos sejam capazes de lhe provocar a morte."
"Os m??dicos que aprovam a eutan??sia fazem-no, porque não conseguem suportar a vis??o de um ser que sofre e porque não receberam a formação espiritual que conv??m ?? medicina, acabando por dizer: ???Que v?? morrer amanh?? ou dentro de seis semanas, qual ?? a diferença? Prefiro acabar j?? com isto'. Não podemos passar esta imagem de m??dico aos estudantes de medicina, se não quisermos que esta se transforme em algo terr??vel. ?? absolutamente indispens??vel manifestar o respeito total pela vida humana, sobretudo porque actualmente estamos em condições de aliviar todas as manifestações de dor, e consequentemente, as pessoas de que nos ocupamos não t??m quaisquer raz??es para sofrerem de forma insuport??vel. Pelo contr??rio: recebem uma ajuda di??ria gra??as ??s aten????es de enfermeiros e de m??dicos. Na medida em que nos ocupamos dos doentes desta maneira, não nos pedem a eutan??sia."
Em perigo o pacto entre gerações
Mesmo quando o paciente j?? não pode ser curado, tem de se saber cuidar do doente terminal. "Anos de trabalho contra a doença ensinaram-me que o acto de curar não ?? o ??nico pedido do doente grave. Por vezes ele, no seu ??ntimo, sabe que isto não é possível, mas necessita de encontrar seres humanos que reconhe??am, atrav??s dos seus cuidados, o valor sagrado da sua vida. Se sentir que estamos a seu lado, o doente chega até a aceitar que a vida humana ?? limitada e a conformar-se com o seu destino. Pelo contr??rio, não o aceitar?? se não houver algu??m que se dedique a ele, e tem raz??o."
Para L. Isra??l, a eutan??sia quebraria a solidaridade entre gerações. "Arriscamo-nos a que as pessoas possam pensar que no dia em que contrairem doenças, haver?? algu??m que vai achar normal mat??-las. E, pelo contr??rio, ?? necessário que cada um de n??s saiba que não sofrer??, porque se far?? tudo o que se puder para que não sofra. ?? necessário que todos n??s saibamos que ser?? considerado um ser humano na sua integridade, qualquer que seja a sua condi????o patológica, e que os m??dicos se formaram para se dedicarem ao doente, para impedirem o sofrimento e manifestarem compaix??o."
Não se trata de uma questão religiosa
"Na Holanda, um m??dico tem o direito de praticar a eutan??sia e pode faz??-lo em muitas circunst??ncias; basta que o doente manifeste desinteresse pela vida e que ele próprio não confie no sucesso do tratamento ou numa melhoria da qualidade de vida do paciente. E este m??dico considera-se ??til ?? sociedade, porque diz a si próprio: ???Mato estas pessoas, mas ?? s?? para não faz??-las sofrer'. No entanto, esta não ?? a imagem de si que um m??dico deve projectar na sociedade, e muito menos na sua própria alma. Repito: hoje ?? possível aliviar todos os sofrimentos, não h?? raz??o alguma para invocar a eutan??sia com este argumento. Priva-se de qualquer dignidade a profiss??o m??dica, se aceitarmos como princ??pio que um m??dico tenha o direito de matar."
"No que me diz respeito, a minha posi????o não depende de considera????es religiosas: um m??dico, seja o que for, agn??stico ou crente, não se deve arrogar o direito de tirar a vida a quem quer que seja, quando na realidade a sua tarefa ?? aliviar os sofrimentos dos seus doentes."

