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A seda????o paliativa em doentes terminais

 Vida Humana
A seda????o paliativa em doentes terminais

A pr??tica de induzir o sono profundo mediante a administra????o de f??rmacos não ?? exclusiva da cirurgia; também a medicina paliativa, em fases terminais de doenças degenerativas cr??nicas como os tumores, pode recorrer a ela sob condições especiais. Fala-se em tais casos de seda????o farmacológica ou de seda????o paliativa.

 

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A seda????o farmacológica, quando ?? profunda, cont??nua e intencional, consiste na administra????o de um f??rmaco com a finalidade de fazer perder a consciência a um doente que esteja em fase terminal e seja afligido por um ou mais sintomas resistentes ao tratamento.

 

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Farmacológica, não "terminal"

 

Em primeiro lugar, consideremos a designa????o "seda????o farmacológica". Seria conveniente não utilizar a express??o "seda????o terminal", j?? que esta última poderia levar a pensar que a seda????o, em alguns casos, assumiria o papel de uma pr??tica da eutan??sia visando abreviar intencionalmente a vida do doente.

 

Um importante documento emitido em 2003 pela European Association of Palliative Care ?? muito claro a este respeito: tanto do ponto de vista da inten????o, como do procedimento utilizado e do resultado obtido, a seda????o ?? algo completamente diferente da eutan??sia. A sua verdadeira inten????o ?? fazer face a sintomas resistentes, e não matar o doente; o procedimento exclui a administra????o de f??rmacos letais; e o resultado ?? provocar no doente um sono profundo e não mat??-lo. A comprov??-lo estão os estudos das curvas de sobreviv??ncia dos doentes sedados, comparativamente aos não sedados e em igualdade de condições clínicas iniciais, que demonstram uma maior sobreviv??ncia no primeiro grupo, e que tornam inclusivamente sup??rfluo invocar o princ??pio do duplo efeito para justificar eticamente tal procedimento.

 

Em segundo lugar, os f??rmacos: as benzodiazepinas são as mais frequentemente utilizadas para obter um sono profundo. Nem a morfina - amplamente usada no controlo da dor, da dispneia (dificuldade em respirar) e da tosse em fase avan??ada da doença -, nem os cocktails de vários medicamentos deveriam utilizar-se neste campo.

 

Por outro lado, a defini????o antes apresentada refere-se ao "doente terminal": a seda????o farmacológica ?? e deve permanecer uma pr??tica rara nos cuidados paliativos, reservada ??queles casos que se encontram a pouqu??ssimos dias da morte natural, ??s vezes a poucas horas. Os maiores centros europeus de cuidados paliativos registam percentagens de doentes sedados que em geral não ultrapassam 5% ou 10% do total de doentes atendidos, e assim o confirma também a nossa experiência nos últimos dez anos.

 

Finalmente, os sintomas que levam a intervir sedando o doente devem ser rigorosamente "resistentes", isto ??, dever?? ser impossível trat??-los com os medicamentos comuns, que não alteram o estado de consciência. Diz-se que, para al??m dos f??rmacos, se deve usar qualquer medida terap??utica, no sentido mais pleno do termo, antes de se considerar um sintoma realmente "resistente". Se isto ?? verdade para os sintomas f??sicos, ??-o ainda mais para os ps??quicos, originados ou exacerbados pelo desamparo terap??utico e humano em que com frequ??ncia se encontram os doentes terminais.


Fonte: L??Osservatore Romano