O fundador da Dignitas defende o suic??dio não apenas para doentes terminais
Ludwig Minelli, fundador da organiza????o su????a Dignitas, promotora do "direito a morrer", declarou ?? BBC que o suic??dio ?? uma "maravilhosa possibilidade concedida aos seres humanos", que se torna "muito boa" para "escapar ??quelas situações que não podemos modificar".
A organiza????o deu que falar por ter ajudado o suic??dio de pacientes - na sua maioria doentes terminais - que procuram a Su????a por a legisla????o do seu pa??s lhes não permitir o suic??dio assistido. Minelli defendeu uma vez mais a lei do suic??dio assistido, tendo deixado claro que este não tem que estar limitado a pessoas com uma doença terminal.
Minelli disse também que, "como defensor dos direitos humanos", se mostra "contr??rio a todo o paternalismo", que levaria a distinguir entre pacientes com direito ao suic??dio e outros pacientes vulner??veis, que deveriam ser protegidos. Insistindo em que ele e os seus colaboradores "n??o tomam decisões por ningu??m", o activista procurou definir as pr??ticas da Dignitas.
A organiza????o teve que enfrentar recentemente a contesta????o de uma dissidente, alarmada pelo modo como eram tratadas as pessoas afectadas por desordens mentais ou os doentes não terminais. Particularmente polémico foi o caso do jovem Daniel James, jogador de rugby paralisado devido a um acidente, e que o ano passado recebeu ajuda da Dignitas para terminar aquilo que o jovem considerava "uma vida de segunda."
Uma vantagem económica para o Estado
Na mesma entrevista, Minelli exaltou igualmente as vantagens or??amentais do suic??dio, sublinhando que "por cada 50 tentativas apenas uma pessoa consegue p??r termo ?? vida, ao passo que os restantes geram custos elevados para o Servi??o Nacional de Sa??de". Para o defensor do direito a morrer, não se trata de festejar a sobreviv??ncia dos suicidas que não alcan??am o seu objectivo, mas sim de a lamentar: "Em muitos, muitos casos, as pessoas que tentaram suicidar-se ficam com sequelas terr??veis, sendo por vezes necessário intern??-las em instituições durante 50 anos. Muito dispendioso".
No entanto, e se bem que, em plena conjuntura de desespero cívico e de d??fice fiscal produzidos pela crise, nesta perspectiva o trabalho da Dignitas quase pudesse ser considerado de interesse nacional, os planos da organiza????o para abrir no sul do Pa??s de Gales um centro onde assistir os suicidas não correram como Minelli queria. Tamb??m não teve ??xito o projecto de emenda da Coroners and Justice Bill, proposta pela antiga Ministra da Sa??de Patr??cia Hewitt, para impedir que sejam incriminados amigos ou familiares que acompanhem aqueles que se deslocam ao estrangeiro para se suicidarem. Pelo contr??rio, a própria Su????a est?? a submeter a uma revis??o as suas leis sobre o suic??dio assistido, para p??r entraves ?? entrada deste tipo de visitantes.
Cr??ticas e contradi????es
As declara????es feitas por Minelli ?? televis??o brit??nica causaram divis??es mesmo no seio dos grupos de defensores do "direito a morrer". Assim, por exemplo, Sarah Wootton, directora geral da Dignity in Dying, insistiu em que "escolher a morte assistida para doentes terminais adultos e no uso das suas capacidades mentais s?? deve ser possível dentro de um quadro de estritas garantias legais que protejam os mais vulner??veis".
Por??m, como comenta o escritor e catedr??tico Kevin Yuill em artigo para a Spiked, as declara????es de Minelli fizeram sobretudo real??ar as fragilidades do argumento a favor do direito de morrer e a suposta "autonomia" em que se baseia. Em primeiro lugar porque haver?? que perguntar: quem pode delimitar o alcance desta vontade aut??noma entre a protecção do "vulner??vel" e a nega????o do "paternalismo"? Al??m disso, posto que o suic??dio se apresenta sempre como op????o, o debate não ?? propriamente sobre ele, mas sobre a possibilidade de ajudar algu??m a comet??-lo. Coisa que Minelli também defende, tentando convencer os desesperados a optar por esta "maravilhosa" sa??da.

