Pesquisa

H?? pacientes em estado vegetivo que conseguem pensar e comunicar

 Vida Humana
H?? pacientes em estado vegetivo que conseguem pensar e comunicar

 O estudo foi publicado no New England Journal of Medicine de 3 de Fevereiro de 2010 e os seus autores submeteram 54 pacientes com les??es cerebrais graves (23 em "estado vegetativo" e 31 em estado de consciência m??nima) a uma resson??ncia magn??tica funcional (RMNf).

 

Uma vez dentro do scanner, cada paciente recebia instru????es muito precisas: "Imagine que est?? a jogar t??nis. Imagine que anda a percorrer a sua casa, divis??o por divis??o"...

 

Na maioria dos casos, o scanner não transmitia indícios de consciência. Houve, no entanto, cinco pacientes - quatro em "estado vegetativo" e um em estado de consciência m??nima - que mostraram uma actividade cerebral semelhante ?? de qualquer pessoa de perfeita sa??de.

 

O caso que mais chamou a aten????o foi o de um paciente de 29 anos que sofreu um traumatismo cr??nio-encef??lico num acidente de via????o em 2003, não dando desde ent??o sinais de consciência, nem mesmo com o olhar.

 

Os investigadores fizeram ao jovem perguntas simples sobre a sua vida ("O seu pai chama-se Thomas?"), pedindo-lhe para responder "sim" ou "n??o". As imagens do scanner mostraram reac????es intencionais na sua actividade cerebral.

 

"Fic??mos at??nitos ao ver como conseguia responder correctamente ??s perguntas que lhe fizemos, simplesmente modificando os seus pensamentos", explica Adrian M. Owen, neuro-cientista do Medical Research Council e director da investiga????o.

 

Mesmo admitindo que a técnica da RMNf seja ainda incipiente, Owen acredita que dentro de alguns anos muitos pacientes que neste momento não conseguem nenhum tipo de comunicação o conseguir??o fazer por meio da actividade cerebral.


"Sim", mas "n??o"

 

Os resultados desta investiga????o permitem melhorar os cuidados a prestar a estes pacientes. Como conseguem comunicar, poder??o dizer se sentem dor e os m??dicos poder??o experimentar tratamentos diferentes até acertarem com aquele que realmente os alivia.

 

Mas o estudo suscita igualmente dilemas ??ticos. Houve j?? quem sugerisse que, se um paciente ?? capaz de responder "sim" ou "n??o", os m??dicos e os familiares poderiam utilizar essa técnica para lhe perguntar se deseja morrer.

 

Para Owen, esta op????o ?? muito arriscada: "Seria preciso transpor determinados limites ??ticos e legais para determinar se um paciente possui os meios cognitivos necessários para tomar uma decisão desse g??nero".

 

Na mesma linha, o director do departamento de bio??tica do Weill Cornell Medical College, Joseph J. Fins, pede prud??ncia, esclarecendo, em declara????es feitas no passado dia 4 de Fevereiro ao Washington Post: "Se se pergunta a um paciente se ele quer morrer e ele responde "sim", que significa esse "sim"? Pode ter querido dizer "talvez" ou pode ter sido um "sim" sem convic????o, e n??s não seremos capazes de fazer a distin????o. Precisamos de ter muito cuidado".

 

O certo ?? que h?? cada vez mais indícios de haver pacientes considerados em "estado vegetativo" com mais consciência do que parece. O próprio Owen teve em 2006 conhecimento do caso de uma mulher a quem fora diagnosticado "estado vegetativo" e que no entanto dava mostras de uma actividade cerebral id??ntica ?? de uma pessoa com sa??de.

 

Segundo o estudo realizado pelos investigadores da Universidade de Li??ge, quatro em cada dez diagnósticos de "estado vegetativo" são errados, pois os pacientes t??m de facto consciência.


Aceprensa