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Não h?? tantas espécies em extin????o como se costuma dizer

 Vida Animal
Não h?? tantas espécies em extin????o como se costuma dizer

Quando se trata de biodiversidade o "dado" que se repete como um mantra ?? que a Terra perde 100 espécies por dia, ou 40.000 por ano. ?? uma estimativa altamente hipot??tica, que tem vindo a ser objecto de um debate mais aceso, desde que em 2006 se publicou um trabalho que levantou dúvidas sobre este valor. Recentemente, a Smithsonian Institution realizou um simp??sio em Washington onde os peritos fizeram uma an??lise cr??tica deste estudo, informa The Economist (17-01-2009).

 

Em 2006, Joseph Wright (Smithsonian tropical Research Institute, do Panam??) e Helene Muller-Landau (Universidad de Minnesota) reduziram a estimativa de extin????es, baseados em dados recentes sobre desfloresta????o. A perda de florestas tropicais - os habitats terrestres de maior biodiversidade - ?? considerada o maior perigo para a sobreviv??ncia das espécies e fornece a base dos cálculos sobre extin????es.

 

Wright e Muller-Landau observaram que em muitos pa??ses dos tr??picos havia menos devasta????es florestais e estavam a ser abandonados terrenos anteriormente conquistados ?? selva. Isto porque havia menos procura de terras de cultivo, devido ao menor crescimento da popula????o e ao aumento da migração do campo para a cidade. A superf??cie que fica livre volta a ser invadida pela floresta, de modo que em poucos dec??nios pode recuperar-se metade da biomassa original, o que facilita também a recoloniza????o por parte dos animais. Tendo em conta a tendência observada, os autores conclu??ram que por volta de 2030 as florestas tropicais poder??o recuperar mais de um ter??o da sua extens??o natural, e a partir da?? come??ar??o a expandir-se. Nesta ordem de ideias, em 2030 ter-se-??o extinguido 16-35% das espécies selvagens africanas, 21-24% das asi??ticas e uma parte menor das latino-americanas. Tais estimativas são muito inferiores ?? t??o difundida m??dia de 40.000 por ano.

 

No simp??sio de Washington ficou acordado que esse número deveria reduzir-se, como Wright e Muller-Landau prop??em, mas com os acertos respeitantes ?? diversidade de espécies. As aves e os mam??feros são muito mais vulner??veis ?? perda ou altera????o do habitat que os insectos e outros animais pequenos. Como reconheceram os especialistas presentes, o desaparecimento daquelas espécies não permite deduzir que acontecer?? o mesmo a estas. Conclui-se assim que o total de extin????es ?? e ser?? muito menor do que se tem dito, mas com uma parte desproporcionadamente grande de animais mais conhecidos e "vistosos". cujo desaparecimento ?? mais f??cil de detectar. Quando se verifica o desaparecimento de um destes, mais facilmente detect??vel, não se pode pensar que representa apenas a ponta do iceberg, sinal de que houve muitas outras pequenas criaturas desconhecidas que também desapareceram.

 

De qualquer modo, alguns participantes no simp??sio salientaram que as estimativas do estudo analisado podem ser demasiado optimistas, porque o crescimento demogr??fico e a taxa de desfloresta????o não descem for??osamente ao mesmo ritmo.

 

Embora os agricultores comuns abandonem terrenos ou não os ocupem mais, a destrui????o pode aumentar se se implantarem culturas ?? escala industrial - por exemplo, de soja ou de palma - ou explora????es mineiras, como de facto sucede. Estas actividades dependem mais da procura dos mercados internacionais que das dimensões da popula????o local.

 

Por último, embora os peritos estivessem de acordo em que a perda de biodiversidade est?? longe de progredir ao ritmo de 100 espécies por dia, manifestaram-se preocupados com o futuro. Receiam que a mudança clim??tica previs??vel acelere as extin????es nas florestas tropicais, uma vez que as espécies que as habitam estão adaptadas a um meio ambiente com pequenas varia????es de temperatura. Uma subida m??dia de 3 graus poderia ser fatal para muitas delas.

 

Aceprensa