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??frica procura solu????es para o d??fice de m??dicos

 Medicina
Um em cada quatro m??dicos e uma em cada vinte enfermeiras que se formam em ??frica decidem partir para pa??ses desenvolvidos
??frica procura solu????es para o d??fice de m??dicos

Estes e outros problemas semelhantes foram abordados no Global Forum on Human Resources for Health, que decorreu em Kampala, em princ??pios de Mar??o. Nele estiveram presentes cerca de 1000 pessoas, entre funcion??rios de distintos governos, investigadores, dirigentes de instituições sanit??rias e acad??micos da ??rea da sa??de. A Organiza????o Mundial de Sa??de (OMS) estima que faltam pelo menos, cerca de quatro milhões de profissionais de sa??de em 57 pa??ses, na sua maioria africanos, que possam prestar cuidados b??sicos em campanhas de vacina????o, no apoio a gr??vidas, tratamento da mal??ria, tuberculose e SIDA.

 

De acordo com as estat??sticas da OMS, a ??frica subsariana representa 11% da popula????o mundial e 25% da totalidade das doenças. Contudo, s?? conta com 3% dos m??dicos de todo o mundo e necessitaria de mais um milh??o de profissionais de sa??de. Em contrapartida, a Am??rica, com 14% da popula????o mundial e 10% do peso das doenças, tem a seu serviço 42% dos m??dicos de todo o mundo, sendo 50% das despesas sanit??rias a nível mundial americanas, frente a 1% do continente africano.

 

Porque partem?

 

O sal??rio mensal de um m??dico pode ser inferior a 100 dólares, em alguns lugares em ??frica. Em Londres ou Nova Iorque, pode ascender a $14.000. Consequentemente, um em cada quatro m??dicos e uma em cada vinte enfermeiras que se formam em ??frica, decidem partir para pa??ses desenvolvidos. 29% dos m??dicos ganenses trabalham no estrangeiro, tal como 34% das enfermeiras do Zimbabwe. Nos hospitais em pa??ses desenvolvidos, como o Canad??, Estados Unidos da Am??rica ou Gr??-Bretanha, mais de um quarto dos m??dicos são estrangeiros. Deste modo, os pa??ses pobres estão a financiar a educa????o dos m??dicos e enfermeiras, que acabam por partir para não voltar mais, num aut??ntico investimento a fundo perdido.

 

Nos pa??ses desenvolvidos, a popula????o est?? a envelhecer e a necessidade de cuidados de sa??de est?? a aumentar, mas não se estão a formar os necessários m??dicos locais.

 

Os m??dicos dos pa??ses em desenvolvimento emigram, não s?? em busca de melhores sal??rios, mas também de melhores condições de trabalho, de formação e de postos mais qualificados. Outras vezes, o motivo da partida ?? a violência política e a instabilidade.

 

Qual a situação nas zonas rurais africanas? A maioria dos ugandeses não tem acesso a cuidados m??dicos quando estão doentes. Num pa??s com mais de 28 milhões de habitantes, s?? h?? 2.000 m??dicos registados, incluindo os que trabalham nos hospitais privados e ONGs, o que significa que h?? um m??dico por cada 14.000 habitantes. No último censo (2002), tr??s distritos não tinham um ??nico m??dico, enquanto outros chegavam a ter um r??cio de 1 para cada 120.000 habitantes. Contrastando, nos EUA h?? um m??dico por cada 390 pessoas. Na Irlanda h?? uma enfermeira por cada 66 pessoas, no Uganda uma por cada 1.820. Dos 150 estudantes de medicina que se formam cada ano, um ter??o deixa o pa??s em menos de tr??s anos.


O Hospital, o último recurso

 

S??o poucos os hospitais com radiografias ou ecografias. O mais comum ?? os m??dicos pedirem aos doentes que v??o ser operados que forne??am as luvas. O equipamento de que disp??em est?? muitas vezes em mau estado e a necessitar de uma revis??o urgente. O sector da Sa??de recebe apenas 10% do or??amento necessário. Seria desejável que o financiamento fosse tr??s vezes maior.

 

Os m??dicos contam histórias de crianças que entram em agonia ?? sua frente e de como se sentem incapacitados pela falta de equipamento ou f??rmacos. O Dr. Tom Mwambu, presidente da Associa????o M??dica Ugandesa, comentou que deveriam atender por dia uma m??dia de 20 doentes, mas que actualmente a m??dia era de 40, sendo em Pediatria de 80. Perante esta situação, cada vez mais, os ugandeses recorrem ao hospital em último recurso, dirigindo-se mais frequentemente a ervan??rios ou curandeiros. Outros aceitam a doença como uma fatalidade, pensando que nada mais h?? a fazer. A auto-medica????o est?? cada vez mais a tornar-se uma preocupa????o para as autoridades sanit??rias: os doentes não recorrem ao m??dico mas a vizinhos, amigos, parentes que padecem ou padeceram de queixas semelhantes.

 

Assim, a esperança de vida no Uganda ?? de 48 anos para os homens e de 51 anos para as mulheres. Em cada 1.000 rec??m-nascidos, morrem 30 nos primeiros 28 dias de vida.

 

Da popula????o m??dica formada no Uganda, s?? metade exerce Medicina: uns dedicam-se ?? política, outros a negócios; os que exercem Medicina, trabalham nos centros de sa??de.

 

Os m??dicos rec??m formados iniciam as suas actividades profissionais sem a tutela de um mentor, sendo natural o seu des??nimo perante o trabalho excessivo com que se deparam. O sector da sa??de vai sobrevivendo, fundamentalmente gra??as ao apoio prestado pelo pessoal param??dico e pelos trabalhadores sanit??rios, cuja insuficiente qualifica????o não lhes permite emigrar, mas que desempenham alguns trabalhos mais diferenciados.

 

Um dos acordos do Forum ?? dar-lhes um maior reconhecimento enquanto se lhes presta ajuda para um aumento da sua qualifica????o profissional.


???Fuga de cérebros organizada???

 

?? claro a necessidade de respostas coordenadas e com esse objectivo se celebrou este primeiro F??rum sobre Recursos Humanos para a Sa??de. Apesar de na Declara????o aprovada no F??rum de Kampala se reconhecer que as migra????es do pessoal sanit??rio t??m efeitos tanto positivos como negativos, pede-se que os pa??ses estabele??am mecanismos que favore??am a reten????o dos trabalhadores. A este respeito se incentiva a OMS a acelerar as negocia????es para se obter um c??digo de boas pr??ticas sobre a contrata????o internacional de pessoal sanit??rio. Aos pa??ses ricos ?? pedido que d??em prioridade ?? formação do pessoal sanit??rio nacional e a um financiamento adequado.

 

Como mal menor, algumas organiza????es estão actualmente a impulsionar uma ???fuga de cérebros organizada???. O Uganda ?? um dos quatro pa??ses envolvidos no programa piloto da Commonwealth, de formação de enfermeiras na Europa, de modo a que durante quatro anos adquiram formação no Velho Continente, para depois regressar ao seu pa??s e transmitirem a sua experiência. Durante este per??odo, enfermeiras dos pa??ses desenvolvidos poderiam viajar para sul, para adquirir novas experiências e colmatar a aus??ncia das enfermeiras nacionais em formação no estrangeiro.