Pesquisa

Vamos aprender a alimentar-nos com o Big Brother

 Medicina

Acertar na forma ?? o fim do projecto dirigido por Koster, economista do Departamento de Agrotecnologia e Alimenta????o da Universidade de Wageningen. A sua equipa, composta por mais de vinte especialistas, estudou durante dez anos como se alimentam e o porqu?? desse tipo de alimenta????o de uns volunt??rios, quase 250 até agora, que aceitaram participar na experiência. Numa cantina universit??ria foram instaladas c??maras ocultas que vigiam os movimentos dos clientes: se mastigam bem ou n??o, se comem devagar ou depressa??? Outros sensores, também ocultos medem o peso e o ritmo card??aco. Os investigadores receberam todos os dados e observaram como variam em fun????o dos menus, a forma de temperar a comida, a decora????o e ilumina????o da cantina, o cheiro da mob??lia???

 

Algo assim tinha que ser feito. Ainda que o governo trate de estar a par e nos avise que comamos devagar, que comamos mais vegetais, que tenhamos cuidado com o a????car, que o azeite seja sempre vegetal, a carne sempre grelhada, sem esquecer o ??cido f??lico, continuamos sem fazer caso.

 

A experiência holandesa baseia-se no princ??pio de que se não se consegue persuadir o público com raz??es claras, haver?? que encontrar os est??mulos inconscientes e os reflexos autom??ticos que explicam a conduta alimentar, para actuar sobre eles. Mas essas descobertas seriam proveitosas tanto para as nossas ben??volas autoridades sanit??rias como para uma ag??ncia de publicidade ou um Minist??rio da Propaganda.

 

Entretanto, os governos sobem de tom. ?? suposto que nas modernas sociedades democráticas nos tratem como cidad??os adultos livres e responsáveis, que o Estado não seja paternalista, nem meta o nariz onde não ?? chamado, e deixe que cada um procure a felicidade ?? sua maneira. Mas hoje a sa??de e a segurança são o que era a moralidade pública noutros tempos. Surgiu assim o minist??rio-preceptor, que exorta a recusar as tenta????es da carne e do a????car, aconselha o exercício regular, mete medo com imagens de mortos e feridos na estrada, ralha se no ver??o pusermos o ar condicionado a menos de 24 graus ou no Inverno estivermos no quarto de manga curta, e que nos mete a c??mara pelo prato dentro. O moralismo não desapareceu: mudou de tema.

 

Rafael Serrano