O zinco salva a vida a milhares de crianças
Os dados difundidos recentemente pela Unicef não são uma novidade, pois apenas actualizam e afinam ligeiramente os publicados h?? alguns meses pela OMS. A própria OMS participou, juntamente com outros organismos, na elabora????o dos últimos números, que pouco diferem dos anteriores. O cálculo da morte de crianças diminui de 9 milhões em 2007 para 8,8 milhões em 2008. De qualquer modo, conv??m recordar que são estimativas, não estat??sticas, pois nos pa??ses ou nas regi??es onde se concentra a maior parte dessas mortes não existem registos sanit??rios completos.
O progresso foi rápido nos últimos anos; de 1,4% entre 1990 e 2000 e de 2,3% desde ent??o. Como fez a OMS anteriormente, também a Unicef sublinha que a melhoria se deve a interven????es como campanhas massivas de vacina????o, distribuição de mosquiteiros impregnados de insecticida ou a administra????o de suplementos vitam??nicos. Mas talvez a mais simples e barata de todas, e em contrapartida muito eficaz, seja a utiliza????o do zinco contra a diarreia.
Ainda que não se organizem concertos nem figure no nome do Fundo Mundial contra a Sida, a Tuberculose e a Mal??ria, a diarreia mata mais crianças do que qualquer uma dessas doenças. Segundo as estimativas da OMS, a maior parte (37%) da mortalidade infantil ?? neonatal; mas depois do primeiro m??s de vida, a primeira causa de morte até aos 5 anos são as infec????es respirat??rias agudas (17%), seguidas de perto pela diarreia (16%, ou seja, cerca de 1,4 milhões de mortes de crianças por ano). A mal??ria aparece em quarto lugar (7%), depois de outras doenças infecciosas ou parasit??rias (9%); a sida ?? a oitava causa (2%).
Contra a diarreia nas crianças de regi??es pobres, nas últimas décadas, a principal arma foi a terapia de rehidrata????o oral, de que se distribuiu milhões de unidades. As saquetas de a????car e sal para tomar dissolvidas em ??gua são rem??dio para a desidrata????o que acabaria por causar a morte da criança, mas esta terapia não cura por si s?? a diarreia. Talvez pela falta de resultados vis??veis, a rehidrata????o oral ?? utilizada por apenas 1/3 das famílias nos pa??ses mais afectados, apesar da distribuição massiva de unidades. Assim pensa Eric Swedberg, da ONG Save the Children: "As m??es não consideram que a terapia de rehidrata????o oral seja um verdadeiro tratamento" (Time, 17.08.2009).
Por outro lado, os suplementos de zinco provocam melhoras rápidas e com frequ??ncia curam por completo a diarreia ao fim de alguns dias. O tratamento normal (20 mg di??rios durante duas semanas ou menos) custa s?? 0,30 dólares, quantia ao alcance de qualquer família. E como as pessoas podem compr??-lo, a provis??o pode ser um negócio rent??vel que se pode manter sem necessidade de ajuda exterior.
A efic??cia do zinco contra a diarreia foi descoberta no princ??pio da década de 90 por investigadores norte-americanos da John Hopkins University, que o experimentaram primeiro em crianças de Nova Deli. Comprovados os resultados, come??ou logo a sua distribuição também noutras zonas da ??ndia, assim como no Bangladesh, no Paquist??o e no Mali, com doa????es de organiza????es estrangeiras, oficiais e particulares. Para que esta terapia chegue a todos os lugares onde a diarreia causa danos ??s crianças ser?? necessário que a indústria privada se meta no negócio.
A par do zinco, outro recurso de que se espera um retrocesso dr??stico da diarreia ?? a recente vacina contra o rotav??rus, que causa cerca de 1/3 de mortes em crianças. Os testes realizados na Am??rica Latina, na Europa e nos Estados Unidos mostraram que reduz em 85% as infec????es por rotav??rus. Em Junho passado, a OMS aprovou a primeira modalidade da vacina para que se utilize em todo o mundo.

