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O último aviso de Lovelock sobre a M??e Gaia

 Evolução
O último aviso de Lovelock sobre a M??e Gaia

Lovelock ?? dos que pensam que os males do planeta se devem ?? superpopula????o. "A Terra, no seu próprio interesse, não no nosso, pode ver-se obrigada a entrar numa ??poca de aquecimento, na qual pode sobreviver, mas num estado deficiente e menos habit??vel. E se, como ?? prov??vel, isto ocorrer, n??s teremos sido a causa.... demasiada gente, com as suas mascotes e os seus animais, mais do que os que a Terra pode suportar."

 

Lyons recorda que para Lovelock "a Terra ?? um sistema vivo, que se auto-regula". Perante os que dizem que não tem sentido falar da Terra como de um ser vivo, Lovelock responde que a ci??ncia ainda não formulou uma defini????o completa de vida. Lyons comenta que, seja o que for que se entenda por vida, o erro da tese de Lovelock ?? que " dever??amos preocupar-nos com o próprio interesse da Terra mais do que com o interesse humano. O que ?? digno de censura ?? a ideia de que a Terra tem interesses, que pode tentar alcançar, consciente ou inconscientemente. No entanto, esta ?? a no????o de M??e Gaia ou Planeta Gaia que normalmente ?? apresentada e amplamente interpretada".

 

Assim, a ideia de Gaia, diz Lyons, "?? um conceito anti-humano que realmente sugere que a nossa exist??ncia não ?? mais valiosa que a de qualquer outro ser vivo". Contudo, a realidade da história humana e da sociedade indicam que os seres humanos são excepcionais. "?? perfeitamente sensato preocuparmo-nos com as questões ambientais se amea??am o bem-estar humano. Pelo contr??rio, não ?? razoável colocar o bem-estar de qualquer outra espécie, e menos ainda uma m??tica intelig??ncia da Terra, ?? frente das pessoas".

 

"Algumas vezes, Lovelock parece que deifica o planeta; existia antes de n??s, existir?? depois de n??s e não se preocupa nada em mascar-nos ou cuspir-nos, se não nos comportamos bem. ??? A Terra verdadeira - diz Lovecock - não necessita de ser salva. Sempre se salvou a si mesma e agora est?? a come??ar a faz??-lo, mudando para um estado muito menos favorável ao ser humano e a outros animais'. Pensamos que podemos encarregar-nos do papel de Gaia, de regular o planeta, mas, na realidade, diz Lovelock, ???somos s?? uma espécie mais no grande empreendimento de Gaia. Somos criaturas da evolução darwinista, uma espécie transit??ria, com uma esperança de vida limitada. Na realidade, pensamos que os humanos, t??o inexperientes, t??m a intelig??ncia ou a capacidade de gerir a Terra? ??? Por agora, afirma, tudo o que podemos fazer ?? sobreviver o melhor que pudermos até evoluir para algo mais ??til aos propósitos de Gaia". Neste Final Warning, Lovelock manifesta-se claramente a favor da energia nuclear, o que não deixa de ser ins??lito em algu??m que foi um her??i no movimento verde. Perante as amea??as das altera????es clim??ticas, Lovelock lamenta que "nenhum partido político do Reino Unido tenha a coragem de apoiar a energia nuclear como a fonte de energia mais ecológica, mais barata e mais segura".

 

Talvez por não confiar na sensatez dos humanos, o seu criticismo acaba por adoptar uma direcção absolutamente anti-democrática. Fazem falta, diz, l??deres clarividentes capazes de nos tirar deste embara??o, para o qual evoca a experiência da Segunda Guerra Mundial, quando a democracia foi, temporariamente suspensa e se aceitou um regime disciplinado para salvar a civilização. "Uma sobreviv??ncia ordenada - explica - requer um grau excepcional de entendimento e de lideran??a e pode exigir, como na guerra, a suspens??o do governo democrático enquanto dura a emerg??ncia".

 

O que realmente preocupa, explica Lyons, ?? a adula????o acr??tica que os livros de Lovelock recebem em muitos ambientes, apesar - ou por causa - da sua fraca vis??o da humanidade e da sua focaliza????o no pegar ou largar da democracia. Demasiadas pessoas, situadas em altos postos, compartilham a vis??o de Lovelock de que s?? pessoas inteligentes como elas podem regular as coisas, enquanto que os restantes devemos fazer o que nos disserem, esfor??ando-nos por deixar a menor marca possível sobre a superf??cie de Gaia".

 

Pelo menos, seria necessário agradecer a Lovelock a sua franqueza em relação ao governo tecnocr??tico que defende, termina Lyons. ???Outros, que compartilham dos seus pontos de vista, preferem empregar no????es como ???o bem-estar do planeta' para impulsionar ideias verdes nos gabinetes de Whitehall e de Bruxelas, longe da enlouquecida multid??o. Talvez esta exposição do impulso autorit??rio da política verde seja o verdadeiro ?????ltimo aviso' de Lovelock".

 

Fonte: Spiked

 

N.R.: Segundo notícia do JN de 16.03.09, no próximo dia 5 de Julho, James Lovelock ser?? convidado a estar presente numa conferência internacional em Gaia, a cidade portuguesa com o nome da deusa da Terra na mitologia grega. James Lovelock ?? o autor da Teoria de Gaia, que explica o funcionamento da Terra como um organismo vivo. A conferência ser?? ocasi??o para ser formalizado o Condomínio da Terra, que pretende difundir e defender esse conjunto de ideias.