Pesquisa

Thriller

Anjos & Dem??nios

 Mistério
Angels & Demons
Anjos & Dem??nios

Anjos e Dem??nios, uma superprodução de moda em Hollywood, tem as fantasmagorias próprias do cinema de ac????o, cheio de brilhos e luxos, acabado de sair da f??brica, ao estilo do populacho. O realizador, os guionistas, o director de fotografia, o compositor musical e o desenhador da produção entram numa corrida de competi????o para ver se conseguem superar os actores, em número e qualidade de despropósitos.

 

?? um filme caro. O seu preço est?? em propor????o directa com o estilo grosseiro da sua estrutura dram??tica, que lembra os telefilmes de saldo, aqueles que as televis??es locais passam nas manh??s de S??bado para os infelizes que saem do turno da noite e se querem introduzir nos bra??os de Morfeu.

 

Neste sentido, a primeira hora e meia ?? totalmente eficaz para uma excelente soneca. Quando o espectador j?? est?? a dormitar no seu maple chega o cl??max final, a imprescind??vel ac????o espectacular para consumir o resto de crédito que o gui??o ainda tinha na sua cartola m??gica, da qual foi saindo, ao acaso, um batalh??o de coelhos travestidos de cordeiros. ?? a salva final do fogo de artif??cio da verbena.

 

Uns quantos fantoches - não se pode falar propriamente de personagens - debitam tolices inveros??meis, com ar de quem est?? a revelar rec??nditos segredos, com a testa enrugada pelo esfor??o de tanto espremer magia. O enredo, simples como o buraco de uma rosca, transforma-se numa s??rie de corridas - com algumas derrapagens - pelas ruas de Roma, ap??s a descoberta sempre elementar e idiota de uma pista alcançada sem o menor esfor??o. Portanto, uma gincana, em que dois imbecis (Langdon superstar e uma su????a, que ?? f??sica nuclear, que actua e se exprime com a desenvoltura e no trajecto dram??ticos de um cuco de rel??gio) perseguem um assassino, que vai eliminando, em sangrentos e sinistros rituais, celebrados em igrejas romanas, os cardeais preferiti - Dan Brown, que bem conheces os segredos do Vaticano! Obrigada, por nos abrires os olhos! - subtra??dos de um conclave no qual a Igreja poder?? deixar de ser obscura e perversa, para se tornar clara e cient??fica.

 

Os guionistas Koepp e Goldsman ainda mascararam algumas imbecilidades do romance e eliminaram alguns discursos de divaga????o, mas mant??m-se fi??is ao fino esp??rito de Brown, retratando de modo audiovisual a sua eminente e merit??ria estupidez, preto no branco, mas longe de alcançar o nível exclusivo de O C??digo Da Vinci, posterior no papel, mas anterior no filme.

 

Vem aqui a propósito referir as palavras ir??nicas de Orson Welles: "Muitas pessoas são demasiado bem-educadas para não falar com a boca cheia, mas não se importam de falar com a cabe??a vazia".

 

Alberto Fijo