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Che ??? O Argentino

 Drama
Che: el argentino
Che ??? O Argentino

Che Gevara talvez seja o ??nico mito revolucion??rio do s??culo XX que ainda se mant??m vivo. Os outros ??? Lenine, Mao, Fidel (apesar dos esfor??os de Oliver Stone) e tantos mais, ou j?? desapareceram ou foram pudicamente relegados ao esquecimento. Mas o Che, talvez por causa dos seus fracassos mant??m-se, e, provavelmente, ir-se-?? manter. Chegar?? uma altura em que ningu??m se importar?? de conhecer quem foi, o que fez, mas apenas saber o que representa: não a desumana luta marxista, mas a luta por um generoso ideal de justi??a, contra qualquer opressor.

 

?? evidente que grande parte dos milhões de pessoas que compram posters e camisolas com a ef??gie de Che Guevara ignora a sua história: interessa-lhe apenas o mito que representa. ???Che ?? a imagem clara do idealismo e da rebeli??o juvenil, que são valores eternos e intemporais???, como afirmou o realizador deste filme.

 

che Soderbergh e Benicio del Toro (produtor e protagonista do filme) rodaram um gigantesco fresco com mais de quatro horas de dura????o, dividido em duas partes: a primeira, Che ??? O Argentino, aquela a que agora nos estamos a referir, conta resumidamente o encontro entre Fidel Castro e Ernesto Guevara no M??xico, os anos de luta armada contra a ditadura de Fulg??ncio Batista, principalmente na serra e na selva, e a vit??ria final. O conjunto est?? salpicado de sequências a preto e branco com entrevistas do Che realizadas por jornalistas norte-americanos, e também com as suas interven????es na ONU em 1964.

 

O filme usa o estilo de uma collage com imagens de diferentes texturas, formatos e cores. O resultado demonstra intelig??ncia mas ?? muito parcial na sua aproxima????o ?? figura do l??der revolucion??rio. O facto de dedicar quase toda a metragem ao trabalho obscuro de Che na selva, aumenta as dimensões do homem generoso, am??vel, preocupado com os seus, atento aos pormenores, o homem que sofre na primeira pessoa antes de se converter numa lenda. As entrevistas e discursos confirmam a imagem do her??i lend??rio.

 

O resultado de tudo isto ?? um filme interessante, que se v?? com agrado, embora haja quem o considere desinteressante pela sua estrutura repetitiva: os guerrilheiros patrulham, acampam e voltam a patrulhar, mas no conjunto interessa e, em certos momentos, seduz.

 

O maior problema est?? no conteúdo. Ao filmar uma obra hist??rica, parte-se do princ??pio que se conta a verdade. O gui??o ?? baseado exclusivamente nas mem??rias de Che Guevara, que transmitem uma vis??o parcial, sem nuances. Guevara ?? um homem ??ntegro, idealista, que se entrega sem condições ?? causa. Al??m disso, não se deixa ofuscar pelo ??xito. Os seus inimigos, tanto Batista como militares, são meras caricaturas. Os cubanos inimigos de Batista apenas são referidos numa passagem complicada, que passa despercebida a quem não conhece a história de Cuba. Os factos mais desagrad??veis da biografia de Che nem sequer se mencionam.

 

Tudo isto desvaloriza o filme que não ?? mais que uma hagiografia a ser encarada com certa dose de cepticismo.

 

*(V: violência)