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Filme biogr??fico/Drama

O Assassinio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford

 Drama
Realizador e guionista: Andrew Dominik. Int??rpretes: Brad Pitt, Casey Affleck, Sam Shepard, Mary-Louise Parker, Paul Schneider, Jeremy Renner. 160m . M/12 (VSD)
O Assassinio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford

Produzido pelos irm??os Scott, Tony e Ridley, ?? uma adapta????o do romance hom??nimo de Ron Hansen, finalista do Pen Faulkner em 1983, que explora o mito de James, her??i maldito com aura lend??ria, e as relações com os membros do seu bando.

 

O principiante Andrew Dominik escreve e realiza um filme poderoso em que se adivinham as influências do cinema de Terrence Malik, o tom crepuscular dos westerns de Eastwood e o realismo seco e desencantado, com laivos de degenera????o at??vica, dos romances de Cormac McCarthy, especialmente dos que formam a sua Trilogia da fronteira.

 

?? dif??cil tornar vi??vel um filme de que conhecemos o fim, especialmente ao durar 160 minutos (felizmente, cortou-se a primeira vers??o???que durava 4 horas). O filme tem erros indubit??veis, quase todos de forma, mas conta com um gui??o trabalhado.

 

H?? um tanto (muito) de cria????o literária nos diálogos, no modo de fazer avan??ar a ac????o, no extraordin??rio cl??max final, na forma como a voz off envolve uma ambi??ncia opressiva, seca e indigesta em que se forjam grandes dramas da exist??ncia humana (do deslumbramento ?? decep????o, passando pela raiva, a suspeita, a banalidade do mal, o conflito de lealdades ou o carácter aleat??rio e caprichoso da fama).

 

Mas nota-se especialmente este trabalho de escrita nas construção dos personagens. ?? surpreendente( porque não ?? costume encontrar-se no cinema actual) o delinear elaborado de cada membro do bando. E não s?? os protagonistas, embora nesse caso, a sua profundidade psicológica, com uma infinidade de nuances, esteja muito bem elaborada.

 

As interpretações de Brad Pitt, que ganhou o prémio de melhor actor no Festival de Veneza, e Casey Affleck são impressionantes. Com tudo isto t??o bem conseguido, os defeitos (que também h??) desculpam-se, em parte por serem lógicos num realizador estreante.

 

O filme ?? lento, mas este ritmo pausado, com a fotografia soberba de Deakins e a adequada banda sonora de Nick Cave, ajuda a dar o tom inquietante e o halo de trag??dia grega que se desenrola na mente do espectador.

 

Evidentemente, h?? alguns excessos de preciosismo e podia censurar-se a Dominik o ter muitos planos fechados. De toda a maneira, são defeitos menores de um filme not??vel, met??fora obscura sobre os mitos de um pa??s enorme e poderoso.

 

Ana S??nchez de la Nieta

 

(Aceprensa 114/07, na vers??o impressa)

 

*VSD ??? Viol??ncia, sensualidade e diálogos grosseiros