Coco avant Chanel
Tudo na Fran??a. A realizadora gala Anne Fontaine dirige este biopic daquela que ?? talvez a figura mais emblem??tica da moda: Coco Chanel, francesa, evidentemente.
O filme, como indica o seu título original, conta a história de Gabrielle Chanel antes de se converter num ??cone da moda. A empresa não ?? f??cil porque Chanel costumava dar vers??es contradit??rias da sua infância e juventude. Fontaine baseia-se na biografia de Edmonde Charles-Roux (L'Irr??guli??re) e arranca bem, mostrando uma Coco de g??nio forte, caprichosa e sem moral que tem o objectivo de entrar a qualquer preço (leia-se: atrav??s dos seus amantes) na alta sociedade francesa.
?? medida que a história avan??a (que, na realidade nunca chega a avan??ar suficientemente), a realizadora francesa parece também apaixonar-se pela personagem e o filme converte-se num retrato excessivamente elogioso que marginaliza completamente as questões controversas da vida de Chanel e se mostra indulgente com a falta de moralidade e de equil??brio de algumas das suas reac????es.
Por outro lado, Fontaine acentua demasiado - como quem não deixa de pensar no politicamente correcto - algumas opini??es da desenhadora; por exemplo, a sua vis??o negativa do casamento. Neste sentido, torna-se rid??cula a defesa cerrada de um feminismo superficial que vem beneficiar sobretudo os amantes de Chanel.
O filme est?? bem interpretado por Audrey Tatou que tem uma surpreendente parecen??a f??sica com a desenhadora. A encena????o ??, como não podia deixar de ser, muito cuidada mas a partir de certa altura o filme cai a pique e acaba por lhe pesar excessivamente o tom laudat??rio em demasia, o ritmo lento e a decisão de s?? tocar de leve na relação de Chanel com a moda, que ??, em última an??lise, o mais interessante da sua vida.
Ana S??nchez de la Nieta
*(X: sexo; D: diálogos grosseiros)

