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Romance/Drama

O Segredo de Brokeback Mountain

 Drama
Por ocasi??o da morte do actor Heath Leger(Janeiro 2008), reeditamos a cr??tica do filme que o celebrizou, j?? publicada na vers??o impressa deste serviço em 2006
O Segredo de Brokeback Mountain

Baseado no relato da escritora premiada com o Pulitzer, Annie Proulx, o formato soft do realizador Ang Lee (Sense and sensibility, Tigre e drag??o) torna o filme um produto para o grande público, cheio de paisagens maravilhosas, cen??rios buc??licos, m??sica intimista de guitarra e folk-country e olhares enamorados. Os que j?? v??m o amor gay como o mais natural, definem o filme como uma história rom??ntica, do estilo de ??frica Minha. Que os apaixonados sejam homens ?? t??o epis??dico ??? dizem ??? como que o argu-mento se desenrole em Wyoming ou no Quénia.

 

Entrar na discuss??o sobre se ?? natural ou não ver esses cowboys rendidos um ante o outro ?? t??o est??ril como estafado. ?? t??o ??bvio o carácter propagandista do filme nesse sentido que não merece dar-lhe mais voltas. ?? oportuno assinalar uma das grandes men-tiras nas quais se baseia a promo????o do filme: o pretenso amor entre Ennis del Mar e Jack Twist e que se prop??e como coluna vertebral do argumento.

 

E não h?? nenhum sintoma de verdadeiro amor entre os robustos mancebos.

 

Se seguimos cronologicamente a história de amizade dos dois cowboys, deparamos em primeiro lugar, com que se passa de uma normal conviv??ncia entre companheiros de trabalho a um ass??dio sexual completo sem que haja pelo meio um processo de conver-sas ou aproxima????es afectivas que preparem o que se sup??e que vai ser uma relação amorosa. Uma vez que j?? se conhecem no sentido b??blico do termo, cada um casa com uma boa mulher com quem fundam s??lidas famílias.

 

Naqueles anos não era bem visto ser gay, mas não era obrigat??rio casar-se; podiam continuar solteiros, e manter uma grande liberdade para organizar o seu calend??rio de encontros.

 

Casados e com família, e mantendo relações sexuais com as suas esposas, continuam a ver-se de tantos em tantos meses com a desculpa familiar de que v??o ca??ar. O mais chamativo ?? que nessa din??mica que dura anos, nenhum dos cowboys mostra jamais o m??nimo interesse pela vida do outro, pela sua mulher, filhos??? toda a exist??ncia do ???amado??? ?? como um par??ntesis insignificante entre cada encontro sexual. Querem estar s??s, sem que nenhuma das circunst??ncias reais de cada um possa afectar esses encontros t??o id??licos como furtivos.

 

De facto, a coisa complica-se quando Ennis tem que se ocupar da sua filha uma vez que a sua mulher o abandonou. Jack nega-se a que o amigo cumpra as suas obriga????es de pai e ???acabam???. Al??m disso, quando Jack passa algum tempo sem ver Ennis, faz as suas escapadelas com um mec??nico a quem paga, justifi-cando-se com as suas necessidades sexuais. Ao fim e ao cabo t??m uma depend??ncia sexual mútua, mas de amor, o que se diz amor, não h?? nem vest??gio.

 

Por outro lado, o filme arrasta um ritmo entediante, e ainda que esteja muito bem interpretado, o inv??lucro ?? demasiado mel??fluo para ser cred??vel. Especialmente humilhante ?? o tratamento que recebem as suas esposas - concretamente Alma ??? vítimas de uma vida dupla cheia de mentira e desprezo para com a própria família. No fim, um romance com pouco amor, muito de novela e que cheira demasiado a ca??a ao prémio.

 

Juan Orellana

 

(XD - Sexo e diálogos grosseiros)