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Romance

Uma Outra Educa????o

 Drama
Uma Outra Educa????o

Lone Scherfig (Copenhaga, 1959) obteve grande prest??gio com a sua excelente terceira longa-metragem, Italiano para principiantes (2000), número 12 do movimento Dogma e vencedora do prémio do j??ri em Berlim. O seu primeiro filme em ingl??s foi Wilbur quer matar-se (2002), um retrato tragic??mico da perplexidade niilista, menos bem conseguido que o anterior.

 

An Education ?? uma magnífica adapta????o do relato de Lynn Barber que j?? ganhou o prémio do P??blico e o prémio para a melhor fotografia em Sundance 2009 e dezenas de galard??es para a melhor actriz, Carey Mulligan, também candidatada ao Globo de Ouro. O filme aspira a oito prémios Bafta e a tr??s ??scares importantes: filme, actriz e argumento adaptado.

 

A protagonista ?? Jenny, uma jovem de 17 anos, inteligente e culta, residente num tranquilo sub??rbio de Londres, que recebeu de uns pais simples formação no trabalho, na exigência pessoal e no af?? de supera????o. A sua vida sofre uma grande viragem em 1961, quando conhece um homem de 35 anos, que a corteja com elegantes jantares e viagens, pondo em perigo o seu futuro na Universidade de Oxford.

 

O subtil argumento de Nick Hornby (Alta fidelidade, Era uma vez um rapaz) baseia-se nos relatos autobiogr??ficos que a jornalista Lynn Barber publicou na revista literária Granta. Sem efeitos melodram??ticos nem grosseiras concess??es ?? galeria, Scherfig prossegue uma investiga????o pessoal dos traumas do homem e da mulher contempor??neos. Ficam patentes as limita????es e mis??rias de uma educa????o rigorista - que enterra a alegria de viver num esgotante voluntarismo sem alma - e também do materialismo hedonista, iniciado nos anos sessenta, que acaba por animalizar o ser humano, dando r??dea solta aos instintos mais prim??rios, sem nenhum auto controle e afogando os anseios mais espirituais e duradouros em fugazes satisfa????es meramente f??sicas.

 

Esta s??lida antropologia vai em contracorrente do que ?? politicamente correcto, sobretudo pelo decidido elogio ?? família, a expl??cita aceitação de uma natureza humana objectiva - face ao subjectivismo moral - e a impl??cita abertura ao transcendente. Uma focagem clara, que enche de sugestivos matizes dram??ticos todas as personagens, especialmente a protagonista, magistralmente encarnada na londrina Carey Mulligan, uma actriz chamada sem dúvida a converter-se numa estrela. O restante elenco d??-lhe a r??plica com vigor. Tudo isto, unido a uma apurada resolução fotogr??fica e musical, faz um pequeno grande filme, que confirma Scherfig como uma das melhores cineastas actuais.

 

Jer??nimo Jos?? Mart??n

 

*(S: sensualidade)